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Q3573348 Enfermagem
Em uma Unidade Básica de Saúde inserida em território com alta demanda espontânea e baixa adesão de usuários crônicos aos acompanhamentos programados, o enfermeiro gestor observa crescente absenteísmo em consultas de hipertensos e diabéticos. Visando promover uma intervenção planejada com base no Planejamento Estratégico Situacional (PES), fundamentado na racionalidade crítica e na construção participativa de soluções, qual deve ser a etapa inicial da metodologia?
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Tema central: aplicação do Planejamento Estratégico Situacional (PES) na Atenção Básica para enfrentar o absenteísmo de hipertensos e diabéticos. O PES, de Carlos Matus, baseia-se na racionalidade crítica e na construção participativa, iniciando-se pelo momento explicativo: entender o problema, seus determinantes, atores e limites de governabilidade.

Alternativa correta: C – “Avaliação do problema com análise crítica dos atores, mapeamento de forças sociais e identificação dos limites da intervenção”. Essa descrição corresponde exatamente ao momento explicativo do PES. Na prática, o enfermeiro deve: levantar causas do absenteísmo (barreiras de acesso, horários incompatíveis, baixa literacia em saúde, efeitos adversos, fragilidade do vínculo), mapear atores (usuários, ACS, equipe multiprofissional, gestão, conselho local, farmácia, transporte), e definir governabilidade (recursos, agendas, fluxos), para então priorizar problemas e desenhar soluções viáveis com os envolvidos.

Por que as demais estão incorretas?

A – “Importação direta de experiências externas...”. Fere o princípio de situcionalidade do PES: copiar protocolo sem adequação territorial ignora determinantes locais e o papel dos atores. Diretrizes do MS e da PNAB (Portaria nº 2.436/2017) reforçam a adaptação ao território e participação social.

B – “Fixação de metas previamente definidas por instância superior...”. No PES, metas aparecem no momento normativo e devem ser construídas após o momento explicativo, com pactuação local. Definir metas top-down antes da análise contraria o planejamento ascendente preconizado pelo SUS.

D – “Priorização de dados estatísticos pela gestão, sem consulta aos profissionais...”. Dados são essenciais, mas sem escuta qualificada e análise de atores tornam-se tecnocráticos, rompendo a lógica participativa do PES e a cogestão recomendada pela PNAB.

E – “Execução de ações de visibilidade imediata...”. Antecipar a execução sem análise estratégica gera ações com baixa aderência e pouca efetividade. No PES, a execução é etapa tático-operacional, posterior à explicação, normatização e estratégia.

Dica de prova: identifique palavras-chave como “etapa inicial”, “racionalidade crítica” e “construção participativa” → remeta ao momento explicativo. Desconfie de termos como “centralizada”, “importação sem adaptação” e “visibilidade imediata”, que negam o PES.

Referências úteis: Ministério da Saúde – PNAB (Portaria nº 2.436/2017); Planejamento no SUS e materiais sobre PES; Carlos Matus – Planejamento Estratégico Situacional; OMS – Operational framework for Primary Health Care (2018), que reforça abordagem centrada nas pessoas e participação dos atores.

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