Considerando a tonicidade e as regras de acentuação gráfica ...
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Ano: 2026
Banca:
FAFIPA
Órgão:
Prefeitura de Ivaiporã - PR
Prova:
FAFIPA - 2026 - Prefeitura de Ivaiporã - PR - Técnico em Informática |
Q4433301
Português
Texto associado
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Educar sem violência.
Nesta semana, vi uma série de postagens sobre o Dia das Crianças e fiquei pensando: quantas daquelas
pessoas, que esbanjam carinho na homenagem a meninas e meninos, também costumam machucar
filhos, enteados ou quem esteja sob a sua responsabilidade, em nome da "disciplina"? Para muita
gente, espancar não é uma violência, é uma forma de "educar".
Essa visão cruel e distorcida da realidade — mas que segue arraigada neste país — foi comprovada por
um estudo recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Conforme o levantamento,
pais e mães dizem que bater é a melhor forma de corrigir um comportamento inadequado da criança.
Não consigo conceber como surrar seres humanos indefesos, causar-lhes dor, pode ser uma coisa boa.
Como alguém pode ter essa capacidade? Vejo a agressão a uma criança como um ato de covardia, que
se torna ainda mais perverso quando praticado por quem deveria protegê-la. Mas é justamente o que
mais acontece. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2025, mais de 60
mil casos de maus-tratos ou de lesão corporal em contexto de violência doméstica contra crianças e
adolescentes foram registrados no Brasil, um aumento de 106% comparado ao ano anterior. Se
levarmos em conta que há subnotificação, esse número é muito maior.
Os abusos físicos e psicológicos ferem a dignidade de crianças e podem impactar a saúde física e mental
delas pelo resto da vida. Além disso, elas aprendem que a violência é o meio de resolver conflitos e
diferenças.
Segundo ainda o estudo do Unicef, há um entendimento de que a criação de uma criança cabe
exclusivamente à família, e que outras pessoas não devem interferir. Essa é outra crença entranhada
por aqui, de que pais ou responsáveis têm o direito de impor castigos físicos ou psicológicos para
"disciplinar". Não têm, de jeito nenhum.
Crianças sendo machucadas é um problema público, não privado, diz respeito a todos nós. Cessar o
sofrimento delas é da nossa conta, sim. Um dever, na verdade. Os agressores têm de ser denunciados.
Os registros podem ser feitos em delegacias; conselhos tutelares; Disque 100; site da Ouvidoria
Nacional dos Direitos Humanos (www.gov.br/mdh/pt-br/ondh/), que funciona 24 horas, inclusive em
feriados e fins de semana; ou WhatsApp (61) 99611-0100.
Ignorar o sofrimento de crianças e adolescentes é ser conivente. Não há e jamais haverá justificativa
plausível para maltratá-los. Eles não são inferiores aos adultos, muito menos propriedade das famílias.
Têm o direito de brincar e de desenvolver plenamente suas capacidades, com orientação e afeto de pais
ou responsáveis. Têm de ser respeitados, especialmente no processo de educação.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) enfatiza, no Art. 18-A, que eles "têm o direito de ser
educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de
correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família
ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por
qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los".
O processo de educar não é dos mais fáceis, mas a missão de formar cidadãos cientes de seus direitos e
deveres passa, especialmente, pelo diálogo e por bons exemplos, nunca por métodos cruéis. Todo dia
tem de ser das crianças, tem de ser de zelo pelo bem-estar delas.
Considerando a tonicidade e as regras de acentuação gráfica dos vocábulos retirados do texto, assinale
a alternativa CORRETA.