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Q3573337 Enfermagem
Em instituição de longa permanência para idosos, o enfermeiro identifica, mediante avaliação multidimensional, que uma residente apresenta perda ponderal recente, exaustão crônica, lentidão da marcha, redução de força muscular, risco de quedas, polifarmácia e comprometimento cognitivo. À luz dos critérios fenotípicos de fragilidade de Fried e dos princípios da avaliação geriátrica ampla (AGA), qual conduta melhor qualifica esse quadro clínico-funcional?
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Tema central: Fragilidade no idoso segundo o fenótipo de Fried e aplicação da Avaliação Geriátrica Ampla (AGA). A fragilidade é um estado de vulnerabilidade biológica por perda de reserva homeostática, levando a maior risco de quedas, incapacidade e hospitalização.

Gabarito: A. A residente apresenta ≥3 critérios fenotípicos de Fried: perda ponderal não intencional, exaustão, lentidão da marcha e redução de força. Isso define fragilidade (Fried: 0=robusto, 1–2=pré-frágil, ≥3=frágil). A AGA identifica ainda polifarmácia e comprometimento cognitivo, ampliando o risco de iatrogenias e quedas. Portanto, o manejo deve ser interdisciplinar, não apenas educativo.

Conduta recomendada (AGA):

  • Exercício multicomponente: força, equilíbrio e resistência, com treino de marcha e prevenção de quedas.
  • Revisão medicamentosa: identificar/deprescrever fármacos potencialmente inapropriados (ex.: benzodiazepínicos), reduzir polifarmácia.
  • Nutrição: adequação proteica, rastreio de desnutrição; considerar vitamina D quando indicado.
  • Cognição e humor: rastrear depressão/demência; intervenções não farmacológicas prioritárias.
  • Ambientação segura e tecnologia assistiva: minimizar risco de quedas.
  • Plano de cuidado centrado na pessoa e acompanhamento da equipe multiprofissional.

Por que as demais estão incorretas?

B) Delirium exige início agudo e flutuação da atenção. O caso descreve quadro crônico. Benzodiazepínicos podem precipitar delirium; o manejo padrão é não farmacológico e antipsicóticos só em risco grave. Contenção farmacológica rotineira é contraindicada. (UpToDate; Diretrizes OMS/ICOPE)

C) Lentidão e baixa força são critérios de Fried e contribuem para o diagnóstico de fragilidade; não é necessário exame laboratorial para “confirmar” sarcopenia como diferencial. Sarcopenia (EWGSOP2) requer baixa força + baixa massa muscular e/ou desempenho; exames complementares avaliam etiologias, não a fragilidade.

D) Não é pré-frágil: há ≥3 critérios, logo é frágil. Intervenções devem ser ativas e multiprofissionais, não apenas educativas.

E) Iatrogenia não é irrelevante: polifarmácia é um dos principais fatores de risco para quedas, delirium e hospitalização, independentemente de mobilidade e via oral. AGA sempre inclui revisão medicamentosa. (SBGG; Beers Criteria)

Dicas de prova: 1) Conte os critérios de Fried; 2) Diferencie pré-fragilidade (1–2) de fragilidade (≥3); 3) Delirium é agudo e flutuante; 4) Polifarmácia (>5 fármacos) é sinal de alerta na AGA.

Referências rápidas: Fried LP et al., J Gerontol 2001; OMS/ICOPE 2019; UpToDate – Frailty in older adults; SBGG; Beers Criteria/AGS.

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