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Q3573336 Enfermagem
Em casos de sepse grave, a disfunção adrenal aguda pode representar um fator de descompensação clínica adicional, exigindo do enfermeiro conhecimento aprofundado dos mecanismos fisiopatológicos da resposta ao estresse. Diante de um paciente séptico com hipoglicemia, hiponatremia, hipercalemia e resposta ausente ao estímulo com ACTH, qual hipótese explica, de forma mais acurada, a fisiologia subjacente à insuficiência adrenal neste contexto?
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Tema central: Insuficiência adrenal associada à sepse (CIRCI – Critical Illness–Related Corticosteroid Insufficiency). Em choque séptico, citocinas inflamatórias alteram o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e a esteroidogênese, gerando resposta inadequada de cortisol ao estresse. O quadro clínico-laboratorial típico inclui hipoglicemia, hiponatremia e hipercalemia, além de resposta ausente ao teste com ACTH.

Alternativa correta: BJustificativa: Na sepse, TNF-α, IL‑1 e IL‑6 prejudicam a liberação central de CRH/ACTH e a função adrenal, levando a hipocortisolismo funcional e, em casos mais graves, deficiência de mineralocorticoides (afetando a zona glomerulosa), o que explica a hiponatremia/hipercalemia. A resposta ausente ao ACTH reforça disfunção adrenal ou eixo incapaz de responder adequadamente ao estresse. Esse modelo é clássico da CIRCI descrita em UpToDate, Harrison’s e reconhecida pela Surviving Sepsis Campaign.

Por que as demais estão incorretas?

A. Fala em hipercortisolismo persistente por estímulo exacerbado. Embora alguns sépticos tenham cortisol basal elevado, o problema na CIRCI é a resposta inadequada (relativa) e não a perda do feedback levando a hipercortisolismo. O laboratório do caso é de hipocortisolismo, incompatível com esta descrição.

C. Bloqueio autoimune da 21-hidroxilase é típico de Addison autoimune (curso crônico), não de falência adrenal aguda por sepse. O contexto séptico sugere disfunção inflamatória e isquêmica, não autoimune súbita.

D. Sepse não causa hipertireoidismo transitório; o mais comum é a síndrome do eutireoidiano doente (T3 baixo). Alterações tireoidianas não explicam a ausência de resposta ao ACTH nem a tríade eletrolítica da insuficiência adrenal.

E. A ideia de “exaustão glandular por hipersecreção de ACTH” é conceitualmente ultrapassada. No choque séptico pode haver até ACTH inadequado para o estresse. Além disso, catecolaminas não aumentam por “exaustão adrenal”, e sim por ativação simpática e uso de vasopressores.

Estratégia de prova: Ao ver hipoglicemia + hiponatremia + hipercalemia com falha ao ACTH, pense em insuficiência adrenal. Em cenário de sepse, associe imediatamente a CIRCI por citocinas. Termos como “autoimune” ou “tireoidiano” costumam ser distratores.

Conduta (contexto prático): Nas diretrizes Surviving Sepsis Campaign, recomenda-se hidrocortisona 200 mg/dia para choque séptico refratário a fluidos e vasopressores; o teste com ACTH não é obrigatório para iniciar. Corrigir distúrbios eletrolíticos e monitorar glicemia. Referências: UpToDate (CIRCI), Harrison’s (Insuficiência Adrenal), SSC 2021/2023.

Gabarito: B

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A alternativa correta é a letra B.

Por quê — explicação clínica resumida:

Em sepse grave ocorre um quadro chamado insuficiência adrenal relacionada à doença crítica / CIRCI (Critical Illness-Related Corticosteroid Insufficiency). Mecanismos importantes:

  • Citocinas inflamatórias (TNF-α, IL-1, IL-6, óxido nítrico, etc.) interferem em vários níveis do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal: reduzindo a secreção de CRH/ACTH, prejudicando a síntese esteroidal adrenal e alterando a sinalização dos receptores de ACTH e enzimas esteroidogênicas na glândula.
  • Essas alterações levam a hipocortisolismo funcional (piora da produção ou ação do cortisol no contexto da doença crítica), com resposta insuficiente ao estímulo com ACTH — compatível com o achado do enunciado.
  • Além disso, a disfunção adrenal pode incluir deficiência de mineralocorticoides ou falha funcional equivalente, explicando hiponatremia, hipercalemia e hipoglicemia (sinais compatíveis com insuficiência adrenal de caráter primário/funcional).
  • Outros fatores contribuintes incluem isquemia/lesão microvascular adrenal, inibição enzimática pela inflamação e efeitos diretos de mediadores do choque.

Por isso a opção B (citocinas sistêmicas comprometendo a resposta hipotalâmica ao estresse, resultando em hipocortisolismo funcional e deficiência de mineralocorticoides) descreve com maior acurácia a fisiologia subjacente nesse contexto.

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