Referindo-se a discurso, defina se as assertivas são (V) ver...

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Q4277758 Português
Referindo-se a discurso, defina se as assertivas são (V) verdadeiras ou (F) falsas e aponte a alternativa correta.
( ) Discurso indireto: é o narrador falando pela personagem.
( ) No discurso indireto, o verbo dicendi vem seguido de uma oração subordinada substantiva, iniciada pelo conectivo que ou se.
( ) Discurso indireto livre, (ou semi-indireto): é o narrador reproduzindo o pensamento da personagem.
( ) O pensamento da personagem no discurso indireto livre, se confunde com a própria linguagem do narrador. Não se usa verbo dicendi nem conectivos. Trata-se de um tipo de discurso que aproxima o narrador da personagem.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é distinguir a subordinação introdutora do discurso indireto da fusão das vozes no indireto livre. A quarta assertiva explicita essa fusão e a ausência de marcas introdutoras; na leitura didática e não exaustiva adotada, isso sustenta a sequência V – V – V – V, alternativa C.

Tema central: Discurso indireto e indireto livre
Análise das alternativas
A
Errada
Marca a terceira assertiva como falsa, mas o discurso indireto livre pode representar o pensamento da personagem na voz narrativa. A quarta assertiva esclarece essa descrição resumida ao acrescentar a fusão de vozes e a ausência de subordinação introdutora.
B
Errada
Marca a quarta assertiva como falsa, embora ela apresente traços do discurso indireto livre: fusão das vozes e ausência de marcas que introduzam subordinadamente o discurso representado. A referência à ausência de conectivos limita-se a essa função introdutora; não proíbe conectivos em toda a passagem.
C
Certa
A alternativa C reúne quatro afirmações aceitas com delimitações precisas. A primeira descreve o narrador relatando a fala da personagem em sua própria formulação. A segunda apresenta a construção desenvolvida típica do discurso indireto: verbo de elocução seguido de oração subordinada substantiva introduzida por que ou se. A terceira indica que o indireto livre pode representar pensamentos, sem afirmar que essa representação lhe seja exclusiva. A quarta completa essa caracterização pela mistura das vozes do narrador e da personagem, sem verbo dicendi e conjunção subordinativa introduzindo o segmento representado.
D
Errada
Marca a segunda assertiva como falsa, mas a sequência verbo dicendi e oração subordinada substantiva introduzida por que ou se descreve a construção desenvolvida típica do discurso indireto. A existência de outras realizações não invalida esse padrão, pois a questão não exige uma definição exaustiva.
Pegadinha da questão
Tomar as caracterizações resumidas como definições absolutas. A terceira assertiva deve ser lida com a quarta: representar pensamento é uma possibilidade, enquanto a fusão de vozes esclarece o indireto livre. Além disso, a ausência de verbo dicendi e conectivos refere-se à introdução subordinativa do segmento, não a qualquer ocorrência desses elementos.
Dica para questões semelhantes
  • Distinga a fala integrada sintaticamente ao relato do narrador da fusão entre a voz narrativa e a voz da personagem.
  • Não identifique o discurso indireto livre apenas pela presença de pensamentos: verifique também a relação entre as vozes e as marcas introdutoras.
  • Ao avaliar formulações didáticas, diferencie a descrição de uma construção típica de uma afirmação universal sobre todas as construções possíveis.

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Comentários

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Os tipos de discurso narrativo indicam como a fala ou o pensamento das personagens aparecem na história.

Existem três formas principais de reproduzir essas vozes:

* Discurso Direto: A personagem fala com as próprias palavras. Usa-se pontuação (travessão ou aspas) e um verbo dicendi (como disse, falou, perguntou).

* Exemplo: Ele disse: — Estou com fome.

* Discurso Indireto: O narrador conta o que a personagem falou ou pensou. O verbo dicendi vem acompanhado de conectivos como que ou se para introduzir a fala.

* Exemplo: Ele disse que estava com fome.

* Discurso Indireto Livre: As vozes do narrador e da personagem se misturam no texto. Não há marcas formais de pontuação, nem conectivos ou verbos dicendi, fazendo o pensamento da personagem parecer parte da própria narração.

* Exemplo: Ele olhava para a mesa vazia. Que fome sentia naquele momento. O dia não passava.

  • A alternativa correta é a C: V – V – V – V.

1. (V) Discurso indireto: é o narrador falando pela personagem.

  • Verdadeira: No discurso indireto, o narrador não cede a palavra diretamente à personagem, mas assume a enunciação e relata na sua própria voz o que a personagem disse ou pensou. 
  • Exemplo prático:

Discurso Direto (referência): O chefe gritou: — Preciso do relatório agora!

Discurso Indireto: O chefe gritou que precisava do relatório naquele momento. (O narrador conta o que o chefe disse usando as próprias palavras dele, mudando os pronomes e verbos). 

2. (V) No discurso indireto, o verbo dicendi vem seguido de uma oração subordinada substantiva, iniciada pelo conectivo que ou se.

  • Verdadeira: Conforme ensina Evanildo Bechara, no discurso indireto os verbos dicendi (como disse, perguntou, respondeu) inserem-se na oração principal introduzindo uma oração subordinada substantiva por meio das conjunções integrantes que ou se. 
  • Exemplo prático:
  • Com o conectivo "que" (frases afirmativas/enunciativas):

A testemunha afirmou [oração principal com verbo dicendi] que viu o suspeito na cena do crime [oração subordinada substantiva objetiva direta]. 

  • Com o conectivo "se" (frases interrogativas indiretas):

O professor perguntou aos alunos [oração principal com verbo dicendi] se eles haviam terminado a tarefa [oração subordinada substantiva objetiva direta]. 

3. (V) Discurso indireto livre, (ou semi-indireto): é o narrador reproduzindo o pensamento da personagem.

  • Verdadeira: O discurso indireto livre (também denominado estilo semi-indireto) consiste em reproduzir a fala ou os sentimentos e pensamentos interiores das personagens integrando-os ao fluxo de consciência narrativo. 
  • Exemplo prático:

Marina caminhava pela calçada escura, sentindo o coração disparado. Por que ninguém vinha ajudá-la? Estava completamente sozinha naquela rua deserta.

(A frase destacada em negrito não é o narrador contando um fato exterior, mas sim o pensamento íntimo de Marina expresso no meio da narrativa). 

4. (V) O pensamento da personagem no discurso indireto livre, se confunde com a própria linguagem do narrador. Não se usa verbo dicendi nem conectivos. Trata-se de um tipo de discurso que aproxima o narrador da personagem.

  • Verdadeira: No discurso indireto livre, a fala da personagem é incorporada sem qualquer elo subordinativo ou verbo dicendi introdutor. Isso cria um elo psíquico em que o narrador fala em uníssono com a personagem, aproximando-os na narrativa. 
  • Exemplo prático:

O aluno olhou para a prova de matemática e suspirou profundamente. Aquela fórmula maldita não entrava na cabeça de jeito nenhum! Precisava tirar uma boa nota para passar de ano, senão estaria perdido.

(Repare que não há travessão, não há verbos como "ele pensou que..." e nem conectivos. A voz do narrador e a frustração do aluno se fundem na mesma frase).

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