O processo de profissionalização da enfermagem brasileira e...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3573333 Enfermagem
O processo de profissionalização da enfermagem brasileira entre as décadas de 1920 e 1940 inscreve-se em um contexto de medicalização institucional e de transição entre práticas tradicionais e um modelo tecnocientífico importado dos Estados Unidos, especialmente após a influência da Missão Rockefeller. À luz das análises de Maria Helena Machado e Ana Maria Rago, e considerando os dilemas ético-políticos da conformação profissional da enfermagem nesse período, qual proposição expressa com maior fidelidade historiográfica a natureza ambígua dessa transição?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: O enunciado aborda o processo de profissionalização da Enfermagem no Brasil entre 1920-1940, especialmente sob influência da Fundação Rockefeller e do modelo tecnocientífico dos EUA, e aponta para a natureza ambígua dessas transformações.

Justificativa da alternativa correta (D):
A alternativa D destaca que “a incorporação de valores disciplinares e hierárquicos derivados da formação norte-americana promoveu rupturas com as práticas populares e reforçou a subordinação à medicina institucionalizada”. Esta é a proposição mais fiel ao contexto histórico, pois, segundo a análise de Maria Helena Machado e Ana Maria Rago, o modelo educacional trazido pela Fundação Rockefeller consolidou rigidez disciplinar e estrutura fortemente hierarquizada, reduzindo a autonomia das enfermeiras e afastando práticas comunitárias de cuidado.

Conforme aponta o estudo histórico da Fiocruz: “A adoção do saber biomédico e da estrutura estritamente hierárquica evidenciou a subordinação da enfermagem à medicina, e sua identidade profissional foi atrelada à obediência e disciplina” (Moreira, 2012). Assim, embora tenha havido avanços técnicos, o modelo reforçou o controle médico sobre a enfermagem.

Análise crítica das alternativas incorretas:

A) Incorreta: Afirma autonomia e protagonismo das enfermeiras, o que não condiz com o contexto hierárquico e subordinado às decisões médicas.

B) Incorreta: O protagonismo feminino foi mais simbólico que efetivo, e não houve valorização dos saberes comunitários nem horizontalidade nas relações de trabalho.

C) Incorreta: As escolas não incentivaram críticas ao paradigma biomédico nem promoveram humanização como eixo central, mas sim a disciplinarização do cuidado.

E) Incorreta: Não havia lógica de educação libertadora, e sim padronização segundo métodos estrangeiros, sem inspiração em pedagogias críticas ou na integralidade da saúde coletiva.

Estratégias para provas:
Fique atento à diferenciação de termos como “autonomia”, “protagonismo” e “subordinação”. Questões históricas muitas vezes cobram compreensão da real condição da enfermagem no contexto institucional: busque sempre identificar, nas alternativas, quem detinha o poder decisório e como as relações eram organizadas.

Referência: Machado, M. H.; Rago, A. M. – Enfermagem, História, e Poder: um Olhar Crítico. Moreira, M. C.N. – A construção da identidade da enfermagem no Brasil.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo