A hipertensão arterial sistêmica é uma condição que afeta d...
Gabarito comentado
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Tema central: Fisiopatologia da hipertensão arterial sistêmica (HAS) no coração e vasos. A HAS crônica eleva a pós-carga e a resistência vascular sistêmica, promovendo hipertrofia ventricular esquerda (HVE) concêntrica, remodelamento vascular, disfunção endotelial e maior risco de insuficiência cardíaca, arritmias e eventos isquêmicos. (Diretrizes Brasileiras de HAS – SBC, 2020; Harrison’s; UpToDate)
Alternativa correta: C – A HVE na HAS é uma adaptação do miocárdio para vencer a resistência vascular aumentada. Pela Lei de Laplace, o aumento da pressão intraventricular leva ao espessamento da parede para reduzir tensão. Com o tempo, há fibrose, disfunção diastólica (HFpEF) e, em casos avançados, insuficiência cardíaca com redução de FE. A regressão da HVE com IECA/BRA e BCC reduz eventos cardiovasculares. Evidência amplamente descrita em SBC 2020, AHA/ACC 2017, ESC/ESH 2018, Harrison’s e UpToDate.
Por que as demais estão incorretas?
A – A HVE decorre de sobrecarga de pressão no ventrículo esquerdo, típica da HAS sistêmica. Sobrecarga do ventrículo direito ocorre em hipertensão pulmonar, não na HAS essencial. Logo, há erro de câmara envolvida. (Harrison’s)
B – Aumento da resistência periférica total tende a elevar a PA central e a pós-carga, não a reduzi-las. Coronárias têm autorregulação, mas a HAS crônica cursa com endoteliópata, menor vasodilatação dependente de NO e, muitas vezes, estenose microvascular, não “dilatação” sustentada. (ESC/ESH 2018; UpToDate)
D – Nos estágios iniciais da HAS (especialmente em jovens), o débito cardíaco é normal ou aumentado, e a evolução típica é para elevação sustentada da RVP. Não há “melhora compensatória” da função renal; ao contrário, a HAS favorece nefroesclerose e microalbuminúria. (SBC 2020)
E – A HAS prolongada frequentemente causa alterações estruturais: HVE, dilatação/hipertrofia atrial esquerda, rigidez aórtica, rarefação microvascular e lesão renal. Dizer que os efeitos se limitam à RVP contraria múltiplas diretrizes e estudos. (Harrison’s; AHA/ACC 2017)
Estratégia de prova: Desconfie de enunciados que: (1) trocam ventrículo esquerdo por direito; (2) prometem “redução da PA central” quando a RVP aumenta; (3) sugerem “melhora renal” nos estágios iniciais. Palavras-âncora que costumam sinalizar a correta neste tema: pós-carga, HVE concêntrica, disfunção diastólica, progressão para IC.
Referências sucintas: Diretrizes Brasileiras de HAS (SBC, 2020); AHA/ACC 2017; ESC/ESH 2018; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (acesso 2024).
Gabarito: C
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