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Q3293682 Medicina
A doença inflamatória pélvica (DIP) pode resultar em sequelas reprodutivas. Qual agente etiológico é comumente implicado? 
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Tema central: A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma infecção ascendente do trato genital superior, geralmente sexual e polimicrobiana, que pode levar a infertilidade tubária, dor pélvica crônica e gestação ectópica por dano inflamatório às tubas.

Alternativa correta: BChlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. São os patógenos mais frequentemente implicados no início da DIP em mulheres sexualmente ativas. A Chlamydia costuma ser assintomática e causar inflamação subclínica com lesão tubária; a Neisseria tende a quadro mais agudo. Coinfecção é comum, e a infecção cervical por esses agentes frequentemente precede a colonização ascendente. Diretrizes CDC/OMS e UpToDate apontam cobertura obrigatória para ambos em terapia empírica (CDC STI Treatment Guidelines 2021/2024; OMS/WHO STI guidelines).

Por que as demais estão incorretas?

A. Salmonella/Shigella são enteropatógenos; raramente causam DIP. Em DIP comunitária típica, os principais são DSTs (CT/NG) e flora vaginal anaeróbia. Gram-negativos entéricos podem aparecer em contextos pós-parto/pós-procedimento, não como causa comum de DIP clássica.

C. Streptococcus pyogenes não é agente habitual de DIP por via sexual. Pode estar ligado a infecções puerperais ou pós-invasivas, mas não explica a maioria dos casos com sequelas reprodutivas em população geral.

D. Mycobacterium tuberculosis pode causar tuberculose genital e infertilidade, porém é incomum como causa de DIP comunitária e tem evolução crônica, geralmente associada a TB em áreas endêmicas, não a “infecções extragenitais comunitárias”.

Como interpretar a questão: A dica “sequelas reprodutivas” deve acionar a lembrança de lesão tubária por CT/NG. Em provas, diferencie DIP comunitária (CT/NG) de cenários pós-parto/pós-procedimento (flora mista, entéricos).

Diagnóstico (revisão rápida): Suspeitar na presença de dor pélvica/lombossacra + dor à mobilização do colo e/ou uterina/adnexal. Achados de suporte: febre, leucocitose, PCR elevada, corrimento anormal, NAAT positivo para CT/NG, US com salpingite/abscesso. Testar CT/NG por NAAT em todas as suspeitas (CDC).

Tratamento empírico (resumo de diretrizes): Cobertura para CT, NG e anaeróbios. Esquema ambulatorial recomendado: ceftriaxona IM (dose única) + doxiciclina 14 dias + metronidazol 14 dias. Internar se critérios de gravidade, gestação, abscesso volumoso ou falha terapêutica.

Referências essenciais: CDC STI Treatment Guidelines (2021/2024); WHO STI guidelines; UpToDate; ACOG Practice Bulletin.

Gabarito: B

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