De acordo com as ideias do texto CG1A2-I, as duas espécies d...
Texto CG1A2-I
É do homem que tenho de falar; e a questão que examino me ensina que vou falar a homens; com efeito, não se propõem semelhantes questões quando se teme honrar a verdade. (...) Concebo na espécie humana duas espécies de desigualdade: uma, que chamo de natural ou física, porque é estabelecida pela natureza, consiste na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito, ou da alma; a outra, que se pode chamar de desigualdade moral ou política, porque depende de uma espécie de convenção, é estabelecida, ou pelo menos autorizada, pelo consentimento dos homens. Consiste esta nos diferentes privilégios de que gozam alguns em prejuízo de outros, como ser mais rico, mais honrado, mais poderoso, ou mesmo fazer-se obedecer por eles.
Não se pode perguntar qual é a fonte da desigualdade natural, porque a resposta se encontraria enunciada na simples definição da palavra. Ainda menos se pode procurar se haveria alguma ligação essencial entre as duas desigualdades, pois isso equivaleria a perguntar, por outras palavras, se aqueles que mandam valem necessariamente mais do que os que obedecem e se a força do corpo e do espírito, a sabedoria ou a virtude se encontram sempre nos mesmos indivíduos em proporção do poder ou da riqueza — questão talvez boa para ser agitada entre escravos ouvidos por seus senhores, mas que não convém a homens razoáveis e livres, que buscam a verdade.
Jean-Jacques Rousseau. A origem da desigualdade entre os homens.
1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p. 33 (com adaptações).
Gabarito comentado
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Gabarito: D
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a oposição semântica explícita entre a origem das duas desigualdades, dada pelo próprio texto: “uma, que chamo de natural ou física, porque é estabelecida pela natureza (...) a outra, que se pode chamar de desigualdade moral ou política, porque depende de uma espécie de convenção, é estabelecida, ou pelo menos autorizada, pelo consentimento dos homens.” Como o texto define uma como natural e a outra como convencional, o gabarito é D.
- Quando o texto define termos de modo explícito, resolva pela literalidade da definição antes de inferir.
- Compare as alternativas com a oposição semântica exata construída no texto, sem trocar o critério por juízos de valor.
- Não transforme expressões como “consentimento dos homens” em categoria jurídica se o texto trabalha com convenção social, não com legalidade.
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