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Q395228 Medicina
Com relação ao manejo das emergências oncológicas pediátricas, julgue os próximos itens.

A radioterapia craniana é empregada no tratamento inicial de pacientes com leucemias agudas e hiperleucocitose, por reduzir o risco de hemorragia cerebral.
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Gabarito: E (Errado)

Tema central: O manejo das emergências oncológicas pediátricas, especificamente em leucemias agudas com hiperleucocitose, exigindo conhecimento sobre intervenções eficazes para prevenir complicações graves como hemorragia cerebral.

Justificativa completa:
A radioterapia craniana não faz parte do tratamento inicial dos pacientes pediátricos com leucemias agudas e hiperleucocitose. Seu uso naquele momento não reduz de maneira imediata e eficaz o risco de hemorragia cerebral, pois não age na diminuição da contagem leucocitária nem na viscosidade sanguínea. As emergências secundárias à hiperleucocitose (leucostase, hemorragias) ocorrem devido ao excesso de blastos circulantes, que aumentam a viscosidade do sangue e favorecem eventos trombo-hemorrágicos, especialmente no sistema nervoso central.

O que as diretrizes recomendam?
Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Leucemia Mieloide Aguda em Crianças e Adolescentes do Ministério da Saúde, e conforme compilado por referências como o UpToDate e Harrison's Principles of Internal Medicine, o tratamento inicial visa redução rápida do número de blastos, utilizando:

  • Leucoaférese (casos graves ou sintomáticos): procedimento eficaz para remoção de leucócitos circulantes.
  • Quimioterapia citorredutora (por exemplo hidroxiureia ou citarabina): indicada para controle da massa tumoral e redução do risco de complicações, inclusive hemorrágicas.

A radioterapia craniana pode ser empregada em situações específicas, como infiltração meníngea refratária, mas não é indicada no manejo inicial da hiperleucocitose das leucemias agudas, por não exercer impacto imediato sobre a contagem leucocitária ou viscosidade sanguínea (“A radioterapia craniana não está indicada para hiperleucocitose, mas sim em infiltração meníngea refratária”, PCDT/MS LMA, p.64).

Análise crítica do enunciado:
O erro central foi assumir que a radioterapia poderia prevenir hemorragia cerebral em hiperleucocitose logo ao diagnóstico. Repare sempre nas palavras: “inicial”, “reduzir o risco imediatamente”—são dicas para priorizar intervenções rápidas e efetivas.

Estratégia de prova:
Desconfie de terapias que não tenham indicação de uso imediato na emergência. Relacione a resposta sempre à fisiopatologia—pergunte-se: como essa conduta atua frente ao mecanismo do quadro agudo?

Conclusão: O tratamento imediato deve focar na redução rápida dos leucócitos circulantes. Radioterapia craniana não cumpre esse papel e não previne de forma eficaz hemorragias cerebrais nessas situações.

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