Mulher com obesidade, IMC de 40 kg/m², será submetida à lap...

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Q4238068 Medicina
Mulher com obesidade, IMC de 40 kg/m², será submetida à laparoscopia. Realiza-se a punção com agulha de Veress umbilical estabelecendo pressão intra-abdominal de 8 mmHg. Durante a entrada com trocarte umbilical, ocorre instabilidade hemodinâmica severa. Qual é o vaso mais provavelmente lesado nesse contexto? 
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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Com pressão intra-abdominal de apenas 8 mmHg, o pneumoperitônio não afasta suficientemente a parede abdominal dos grandes vasos retroperitoneais. Na entrada cega do trocarte pela linha média umbilical, em paciente obesa, o vaso mais provavelmente lesado é a aorta abdominal, por sua posição central e pela instabilidade hemodinâmica grave que sugere hemorragia de grande vaso arterial.

Tema central: Acesso laparoscópico umbilical
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a aorta abdominal é o grande vaso retroperitoneal central mais compatível com o trajeto do trocarte umbilical mediano quando o pneumoperitônio não criou distância segura. O dado técnico decisivo é a pressão intra-abdominal de 8 mmHg, insuficiente para afastar adequadamente a parede abdominal das estruturas profundas; isso torna a penetração excessiva do trocarte capaz de atingir grande vaso central. A instabilidade hemodinâmica severa imediata reforça lesão arterial de alto fluxo, compatível com aorta.
B
Errada
A veia cava inferior também é retroperitoneal e pode ser lesada nesse tipo de acesso, mas não é a mais provável entre as opções porque está mais à direita da linha média. Como o trocarte foi introduzido por via umbilical mediana, a topografia favorece mais a aorta do que a cava. A gravidade do choque, isoladamente, não basta para escolher a cava sem considerar o eixo anatômico do acesso.
C
Errada
A artéria ilíaca externa não corresponde ao vaso mais provável porque sua localização é pélvica e lateral, incompatível com uma lesão típica por entrada umbilical mediana inicial. Para atingi-la, o trajeto do instrumento teria de ser mais caudal e lateral do que o descrito pelo mecanismo da questão.
D
Errada
A artéria epigástrica inferior é vaso da parede abdominal e sua lesão é mais associada a portais laterais, não ao trocarte umbilical mediano. Além disso, o padrão do enunciado é de instabilidade hemodinâmica severa imediata por lesão profunda de grande vaso, não de sangramento parietal, que é o cenário mais compatível com lesão epigástrica.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre 'vaso que também pode causar choque' e 'vaso mais provável pelo trajeto anatômico'. Isso leva alguns a marcar veia cava inferior ou artéria epigástrica inferior sem integrar dois dados-chave: acesso umbilical estritamente mediano e pneumoperitônio insuficiente.
Dica para questões semelhantes
  • No acesso laparoscópico, relacione sempre o sítio do trocarte com a anatomia vascular profunda antes de escolher o vaso lesado.
  • Se a pressão do pneumoperitônio está baixa na entrada cega, pense em menor separação entre parede e retroperitônio, com aumento do risco para grandes vasos centrais.
  • Instabilidade hemodinâmica imediata após trocarte umbilical sugere lesão de grande vaso profundo, não prioritariamente vaso parietal.
  • Não use a obesidade como fator protetor automático; nesta questão, ela não neutraliza o risco criado pelo afastamento inadequado.

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