Um teste diagnóstico para determinada doença apresenta sensi...

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Q4039940 Medicina
Um teste diagnóstico para determinada doença apresenta sensibilidade de 90% e especificidade de 90%, e a prevalência da doença na população testada é de 1%. Qual é a interpretação correta? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Em baixa prevalência, o valor preditivo positivo cai mesmo com sensibilidade e especificidade de 90%. No cenário de 1% de prevalência, a tabela 2x2 mostra que os falsos-positivos entre os não doentes superam os verdadeiros positivos, o que sustenta o gabarito B.

Tema central: Valor preditivo positivo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque alto valor preditivo positivo não decorre apenas de sensibilidade e especificidade altas; ele depende da prevalência. Com prevalência de 1%, o VPP calculado é de aproximadamente 8,3%, muito abaixo de 80%. O erro é confundir desempenho intrínseco do teste com probabilidade pós-teste na população avaliada.
B
Certa
A alternativa B está correta porque a prevalência de 1% faz com que o grupo de não doentes seja muito maior que o de doentes. Assim, mesmo uma taxa de falso-positivo de 10% entre os não doentes gera, em termos absolutos, mais resultados positivos falsos do que verdadeiros positivos. Pela tabela 2x2 em 10.000 pessoas: 100 doentes geram 90 verdadeiros positivos; 9.900 não doentes geram 990 falsos-positivos. Isso produz VPP de 90/(90+990) = 8,3%, confirmando que a maioria dos positivos é falso-positivo.
C
Errada
Está errada porque a baixa prevalência reduz o VPP, mas isso não autoriza concluir, de forma geral, que o teste seja pouco útil. A utilidade diagnóstica depende do contexto de aplicação, da finalidade do teste e do uso eventual de estratégia sequencial com confirmação. O enunciado permite concluir sobre a interpretação dos positivos, não sobre inutilidade global do teste.
D
Errada
Está errada porque especificidade de 90% significa taxa de falso-positivo de 10%, e em população de baixa prevalência esse 10% incide sobre um contingente muito grande de não doentes. Em 9.900 não doentes, isso gera 990 falsos-positivos. Portanto, a especificidade de 90% não garante poucos falsos-positivos em termos absolutos.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre sensibilidade/especificidade do teste e valor preditivo positivo na população: muitos candidatos veem 90% e supõem que resultado positivo tenha alta chance de doença, ignorando o efeito dominante da prevalência de 1%.
Dica para questões semelhantes
  • Se a prevalência for baixa, calcule uma tabela 2x2 com população hipotética antes de interpretar o resultado positivo.
  • Não conclua VPP alto apenas porque sensibilidade e especificidade são altas; o VPP depende diretamente da prevalência.
  • Diferencie proporção de falso-positivo da contagem absoluta de falsos-positivos: em muitos não doentes, uma taxa moderada gera grande número absoluto.
  • Evite transformar dado de desempenho do teste em juízo absoluto de utilidade clínica sem que o enunciado traga esse contexto.

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