A literatura brasileira, ao longo dos séculos, tem sido refl...

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Q3503727 Literatura
A literatura brasileira, ao longo dos séculos, tem sido reflexo das transformações sociais, históricas e culturais do país. Diversos são os autores que contribuíram, em diferentes momentos e com distintas abordagens, para a problematização de temas como gênero, identidade, relações de poder e construção social da subjetividade, revelando a complexidade da experiência humana e a necessidade de uma abordagem inclusiva no ensino de literatura.

A partir dessas considerações, analise as descrições a seguir:

I Suas obras inovaram a estrutura narrativa ao usar a ironia como ferramenta de crítica social, desestabilizando discursos dominantes sobre classe e poder. No conto “Pílades e Orestes”, a relação entre os personagens é apresentada com forte carga emocional e interdependência, cabendo ao leitor crítico interpretar se o que os une é o amor, o desejo ou o interesse.
II Em um romance naturalista considerado pioneiro na abordagem de temas transgressores à época, o autor expõe o preconceito e a violência contra corpos dissidentes em uma sociedade rigidamente normatizada. A obra retrata a relação entre um marinheiro e um jovem grumete, sendo uma das primeiras manifestações literárias a tensionar os limites das convenções sociais do século XIX.
III Explorou de forma intensa e subjetiva as experiências afetivas e existenciais de personagens marginalizados, frequentemente atravessados pela fluidez do desejo e pela incerteza identitária. Seus contos tornaram-se referência na literatura queer brasileira ao problematizar o não pertencimento e a angústia da exclusão.
IV Construiu narrativas que evidenciam a opressão e a busca por autonomia feminina, utilizando personagens femininas que transitam entre o desejo e a repressão social. No romance As Meninas, o entrelaçamento de perspectivas evidencia conflitos de gênero e poder durante a ditadura militar. 
V Sua literatura flerta com o fantástico e com a exploração de arquétipos femininos, em um universo em que o feminino ora se impõe como resistência, ora se vê subjugado pelo patriarcado. No conto “A Moça Tecelã”, apresenta um olhar sensível sobre a complexidade das relações interpessoais e as imposições sobre as mulheres.
VI Em sua obra Amora, revisita e ressignifica experiências femininas e queer por meio de contos que desafiam a heteronormatividade e evidenciam a pluralidade da experiência de ser mulher no Brasil contemporâneo.

As descrições acima referem-se, respectivamente, aos seguintes autores e às suas obras:

 
Alternativas

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Gabarito: Alternativa A

1. Tema central da questão

A questão aborda o reconhecimento de autores e obras fundamentais da literatura brasileira, especialmente no que se refere à representação de temas sociais, de gênero e de subjetividade. O aluno deve identificar, a partir das descrições dadas, os nomes e obras que dialogam com questões de crítica social, identidade, diversidade e resistência – conteúdos muito recorrentes em concursos e essenciais para o entendimento da literatura como representação da realidade social e histórica.

2. Resumo teórico

Escolas literárias são movimentos ou tendências que reúnem autores e obras com características comuns, como estilo, temática e visão de mundo. No Brasil, desde o Realismo de Machado de Assis até manifestações contemporâneas como a literatura queer de Natália Borges Polesso, a produção literária acompanha as transformações sociais, trazendo à luz temas como preconceito, exclusão, opressão de gênero e resistência.

3. Justificativa da alternativa correta (A)

I) Machado de Assis – Relíquias da Casa Velha: Uso da ironia, crítica social e análise das relações humanas – marca registrada do autor.
II) Adolfo Caminha – Bom-Crioulo: Romance naturalista pioneiro ao tratar da homossexualidade e do preconceito.
III) Caio Fernando Abreu – Morangos Mofados: Contos que abordam marginalização e subjetividade queer.
IV) Lygia Fagundes Telles – As Meninas: Perspectivas femininas e conflitos durante a ditadura.
V) Marina Colasanti – A Moça Tecelã: Narrativa fantástica sobre opressão feminina.
VI) Natália Borges Polesso – Amora: Prosa contemporânea e queer, evidenciando experiências femininas plurais.
Essas associações são confirmadas em manuais como História da Literatura Brasileira (Massaud Moisés) e conforme as temáticas das obras.

4. Análise das alternativas incorretas

B: Raul Pompeia, João Gilberto Noll, Lya Luft e Nélida Piñon não correspondem às obras ou temáticas descritas.
C: Aluísio Azevedo e Cassandra Rios não são os autores das obras e temas destacados; João Gilberto Noll não se encaixa no item III.
D: Lya Luft, Raul Pompeia e Nélida Pinon/Pinon são atribuídos incorretamente; Cassandra Rios não é autora de Amora.
Esses erros mostram a importância de ler atentamente as descrições e conhecer os principais autores e temas.

5. Estratégias para acertar esse tipo de questão

  • Destaque palavras-chave nas descrições: "ironia", "naturalista", "queer", "feminina", "fantástico".
  • Relacione essas pistas a autores conhecidos e suas obras mais emblemáticas.
  • Desconfie de alternativas com autores pouco associados às temáticas apresentadas.

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I Suas obras inovaram a estrutura narrativa ao usar a ironia como ferramenta de crítica social, desestabilizando discursos dominantes sobre classe e poder. No conto “Pílades e Orestes”, a relação entre os personagens é apresentada com forte carga emocional e interdependência, cabendo ao leitor crítico interpretar se o que os une é o amor, o desejo ou o interesse.

(I) Machado de Assis – Relíquias da Casa Velha;

II Em um romance naturalista considerado pioneiro na abordagem de temas transgressores à época, o autor expõe o preconceito e a violência contra corpos dissidentes em uma sociedade rigidamente normatizada. A obra retrata a relação entre um marinheiro e um jovem grumete, sendo uma das primeiras manifestações literárias a tensionar os limites das convenções sociais do século XIX.

(II) Adolfo Caminha – Bom-Crioulo;

III Explorou de forma intensa e subjetiva as experiências afetivas e existenciais de personagens marginalizados, frequentemente atravessados pela fluidez do desejo e pela incerteza identitária. Seus contos tornaram-se referência na literatura queer brasileira ao problematizar o não pertencimento e a angústia da exclusão.

(III) Caio Fernando Abreu – Morangos Mofados;

IV Construiu narrativas que evidenciam a opressão e a busca por autonomia feminina, utilizando personagens femininas que transitam entre o desejo e a repressão social. No romance As Meninas, o entrelaçamento de perspectivas evidencia conflitos de gênero e poder durante a ditadura militar.

(IV) Lygia Fagundes Telles – As Meninas;

V Sua literatura flerta com o fantástico e com a exploração de arquétipos femininos, em um universo em que o feminino ora se impõe como resistência, ora se vê subjugado pelo patriarcado. No conto “A Moça Tecelã”, apresenta um olhar sensível sobre a complexidade das relações interpessoais e as imposições sobre as mulheres.

(V) Marina Colasanti – A Moça Tecelã;  

VI Em sua obra Amora, revisita e ressignifica experiências femininas e queer por meio de contos que desafiam a heteronormatividade e evidenciam a pluralidade da experiência de ser mulher no Brasil contemporâneo.

(VI) Natália Borges Polesso – Amora

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