Acerca da finalidade discursiva do recurso adotado no trecho...
Texto II para responder às questões de 11 a 20.
Jornalismo robotizado
Computadores treinados escrevem sobre jogos, terremotos e crimes.
O uso de algoritmos na confecção de textos não é algo novo. A companhia americana Narrative Science treina computadores para escreverem sumários de jogos de diferentes modalidades desde 2012 com grande sucesso. Os resumos são publicados online nos jornais que compram seu serviço logo depois do fim do jogo, com uma velocidade impossível para um redator humano. Embora sejam informativos, os textos com uma descrição dos gols da rodada ou das cestas marcadas no clássico regional são corriqueiros e pouco importantes.
Uma tecnologia criada pelo Los Angeles Times pode mudar os rumos do “robô-jornalismo”. Escrito pelo jornalista e programador Ken Schwencke, um algoritmo usado pelo jornal é capaz de gerar um texto sobre terremotos com base nos dados divulgados eletronicamente pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) sempre que o tremor ultrapassa um limite mínimo de magnitude. Assim, o jornal foi capaz de colocar na sua página de internet um texto sobre o terremoto que atingiu Los Angeles na segunda-feira 17, três minutos depois de receber os dados do USGS. O jornalista conta que o terremoto o assustou e o fez levantar-se da cama, quando caminhou até seu computador e encontrou o texto pronto. O único trabalho que teve foi apertar o botão para publicar o texto no site do Los Angeles Times.
Schwencke, que também criou um algoritmo que escreve notícias sobre criminalidade na região de Los Angeles, disse à revista eletrônica Slate (www.slate.com) que o “robô-jornalismo” não chegou para acabar com os jornalistas humanos. “É algo suplementar. As pessoas ganham tempo com isso e para alguns tipos de notícias a informação é disseminada de um modo como qualquer outra. Eu vejo isso como algo que não deve acabar com o emprego de ninguém, mas que deixa o emprego de todo mundo mais interessante”, disse o jornalista. “Assim a redação pode se preocupar mais em sair às ruas e verificar se há feridos, se algum prédio foi danificado ou entrevistar o pessoal do USGS”, explicou Schwencke, acrescentando que o texto inicial foi atualizado 71 vezes por repórteres e editores até se tornar a matéria de capa do dia seguinte.
(Carta Capital, 26 de março de 2013.)
Acerca da finalidade discursiva do recurso adotado no trecho “Assim a redação pode se preocupar mais em sair às ruas e verificar se há feridos, se algum prédio foi danificado ou entrevistar o pessoal do USGS”, explicou Schwencke [...]” (3º§), é correto afirmar que o objetivo é
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Comentário do Gabarito – Interpretação de Texto
Tema central: Interpretação de texto – Função do discurso direto. O objetivo da questão é avaliar a sua capacidade de identificar para que serve o uso do discurso direto (“Assim a redação pode se preocupar mais em sair às ruas...”, explicou Schwencke) dentro do texto jornalístico.
Justificativa da alternativa correta (A):
A alternativa A) contribuir para a credibilidade ao texto é a correta. Quando o autor reproduz fielmente as palavras de uma fonte, usa o discurso direto para mostrar ao leitor “exatamente o que foi dito”, o que aumenta a autenticidade e a verossimilhança do relato. Segundo Celso Cunha e Lindley Cintra (“Nova Gramática do Português Contemporâneo”), a reprodução literal do discurso de uma fonte reforça a confiança do leitor naquele conteúdo, pois “a autoria é explicitada”. No jornalismo, essa prática é fundamental para reforçar a credibilidade do texto diante do público.
Análise das alternativas incorretas:
B) O objetivo não é identificar a especialidade do autor citado, mas registrar exatamente o que ele disse.
C) Aqui não ocorre transposição adaptada (que caracteriza o discurso indireto), e sim citação literal (discurso direto).
D) Não há informação suficiente para dizer que o discurso é “incisivo e determinante”; o foco está na credibilidade da citação.
E) O discurso direto pode até trazer elementos para a discussão, mas sua função principal no contexto é transmitir confiança e fidelidade às palavras da fonte, e não “ampliar” a discussão propriamente.
Resumo para provas:
Sempre que encontrar discurso direto em uma questão, pense na principal função: dar voz à fonte e criar confiança no relato, aproximando o leitor da verdade dos fatos. Essa é uma estratégia clássica em redação jornalística (veja Manual de Redação da Presidência da República, que recomenda a identificação exata das fontes para credibilidade).
Dica: Atenção a pegadinhas: nem sempre discurso direto é para “ampliar discussão”, “enfatizar” ou “adaptar fala”. O fundamental é a autenticidade da informação!
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Comentários
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Gabarito: A
Contribui para credibilidade do texto.
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