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Q3615793 Enfermagem

A assistência ao parto em ambiente extra-hospitalar é uma situação que exige conhecimento técnico e calma da equipe de atendimento pré-hospitalar. Embora o parto seja um evento fisiológico, a intervenção correta nos momentos cruciais é fundamental para garantir o bem-estar da mãe e do recém-nascido, prevenindo complicações. Acerca dos procedimentos na assistência ao parto iminente, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas: 


(__)Durante o período expulsivo, deve-se amparar a cabeça do bebê com uma das mãos, exercendo uma leve pressão contrária para controlar a velocidade de saída, sem forçar ou tracionar, a fim de proteger o períneo materno contra lacerações.


(__)A secção do cordão umbilical deve ser a primeira ação imediatamente após o nascimento, realizada o mais próximo possível do abdome do recém-nascido, para minimizar a perda de volume sanguíneo do neonato e estimular a primeira respiração.


(__)Após o nascimento do bebê, é mandatório que a equipe realize a tração controlada do cordão umbilical para acelerar a expulsão da placenta, procedimento conhecido como manejo ativo do terceiro período do parto, a fim de reduzir o sangramento.


(__)Os cuidados imediatos com o recém-nascido vigoroso incluem secá-lo vigorosamente com campos limpos e aquecidos para prevenir a hipotermia, posicioná-lo sobre o abdome ou tórax da mãe em contato pele a pele e avaliar sua vitalidade no primeiro e quinto minutos de vida.


Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo: 

Alternativas

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Tema central: assistência ao parto iminente em cenário pré-hospitalar, com foco em condutas seguras no período expulsivo, clampeamento do cordão, manejo do terceiro período e cuidados imediatos ao RN.

Gabarito: Alternativa A — V, F, F, V.

(1) Verdadeira. Aplicar contrapressão suave na cabeça fetal para controlar a saída protege o períneo e reduz lacerações. Não tracionar. Conduta compatível com técnica “hands-on” em contexto pré-hospitalar. Referências: OMS – Intrapartum Care (2018); Ministério da Saúde (Atenção ao Parto e Nascimento).

(2) Falsa. Não se corta o cordão imediatamente como “primeira ação” nem “o mais próximo do abdome do RN”. Em RN vigoroso, recomenda-se clampeamento tardio (1–3 min), favorecendo volemia e ferro; o estímulo respiratório se faz por secagem e posicionamento, não por cortar o cordão. Quando cortar, realizar dois clamps a ~2–3 cm do umbigo. Indicar clampeamento imediato apenas em exceções (reanimação imediata distante da mãe, hemorragia materna grave). Referências: OMS (2014/2018), SBP/NRP e ILCOR.

(3) Falsa. Tração controlada do cordão é parte do manejo ativo do 3º período, desde que haja uso de uterotônico (ex.: ocitocina 10 UI IM) e sinais de dequitação, por profissional treinado. Não é “mandatória” em todo contexto pré-hospitalar; fazer tração sem critérios aumenta risco de inversão uterina. Em cenário sem uterotônico/treinamento, prioriza-se vigilância, massagem uterina e transporte. Referências: OMS – PPH Prevention (2012/2018), MS.

(4) Verdadeira. Cuidados ao RN vigoroso: secagem vigorosa com campos aquecidos, contato pele a pele no abdome/tórax materno para prevenir hipotermia e avaliação de vitalidade (Apgar) no 1º e 5º minutos. Referências: SBP/NRP 8ª ed., OMS/ILCOR.

Por que a alternativa A é a correta? É a única que alinha condutas essenciais: proteção perineal e termorregulação/pele a pele corretas, além de negar o corte imediato do cordão e a tração “obrigatória” no 3º período.

Análise das alternativas incorretas:

B (V,V,V,V): tornaria verdadeiras as afirmações 2 e 3, que contrariam OMS/SBP (clampeamento imediato e tração mandatória).

C (F,V,V,F): nega a proteção perineal correta e valida as condutas inadequadas 2 e 3, além de negar cuidados imediatos corretos ao RN.

D (V,F,F,F): erra ao considerar falso o cuidado neonatal adequado do item 4.

E (F,F,V,V): erra ao negar o item 1 e validar o 3.

Estratégia de prova (pegadinhas): desconfie de termos absolutos como “primeira ação” (corte do cordão) e “mandatório” (tração controlada). Em pré-hospitalar, prioridades: aquecer/secar, pele a pele, avaliar respiração, clampeamento oportuno tardio e evitar tração sem uterotônico/treinamento.

Referências: OMS Intrapartum Care (2018); OMS/ILCOR – Clampeamento do Cordão; Ministério da Saúde – Atenção ao Parto/PPH; SBP/NRP 8ª ed.

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Comentários

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A secção imediata do cordão não é recomendada, exceto em situações específicas (ex: bebê com sofrimento grave). O clampeamento tardio (esperar cerca de 1 a 3 minutos) permite uma melhor transfusão placentária e melhora a oxigenação e o volume sanguíneo do recém-nascido. Além disso, o cordão deve ser cortado a cerca de 10–15 cm do abdome do bebê, e não próximo ao abdome.

O manejo ativo do terceiro período realmente existe, mas não é indicado no ambiente pré-hospitalar, principalmente por profissionais não obstetras. A tração controlada do cordão só deve ser feita por pessoal treinado e com condições adequadas, pois há risco de inversão uterina ou hemorragia se feita incorretamente. Em cenário pré-hospitalar, o recomendado é aguardar a expulsão espontânea da placenta.

VFFV

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