No trecho “Presumo QUE A MOÇA adormecida na cabine AINDA VE...
Vejo sangue no ar, vejo o piloto que levava uma flor para a noiva, abraçado com a hélice. E o violinista em que a morte acentuou a palidez, despenhar-se com sua cabeleira negra e seu estradivárius1. Há mãos e pernas de dançarinas arremessadas na explosão. Corpos irreconhecíveis identificados pelo Grande Reconhecedor. Vejo sangue no ar, vejo chuva de sangue caindo nas nuvens batizadas pelo sangue dos poetas mártires. Vejo a nadadora belíssima, no seu último salto de banhista, mais rápida porque vem sem vida. Vejo três meninas caindo rápidas, enfunadas2, como se dançassem ainda. E vejo a louca abraçada ao ramalhete de rosas que ela pensou ser o paraquedas, e a prima-dona3 com a longa cauda de lantejoulas riscando o céu como um cometa. E o sino que ia para uma capela do oeste, vir dobrando finados pelos pobres mortos. Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo, tão tranqüila e cega! Ó amigos, o paralítico vem com extrema rapidez, vem como uma estrela cadente, vem com as pernas do vento. Chove sangue sobre as nuvens de Deus. E há poetas míopes que pensam que é o arrebol4.
LIMA, Jorge de. Poesia completa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980,2v,v.1 p.237)
1. aportuguesamento para a famosa marca de violinos: Stradivárius
2 .retesadas,infladas,enrijecidas
3. cantora que faz o papel principal em uma ópera.
4. vermelhidão do nascer ou do pôr do sol.
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Tema central da questão: Análise sintática – Orações Subordinadas Substantivas. O ponto principal é saber identificar a função sintática desempenhada por uma oração subordinada dentro de uma estrutura complexa.
O trecho analisado é: “Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo.”
Aqui, temos duas orações:
- Oração principal: “Presumo”
- Oração subordinada: “que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo”
Segundo a norma-padrão, conforme Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) e Cunha & Cintra (“Nova Gramática”), uma oração subordinada substantiva exerce função típica de substantivo. Quando ela completa o sentido do verbo transitivo direto sem preposição, é chamada de objetiva direta.
No exemplo, o verbo “presumir” é transitivo direto: quem presume, presume algo. O pronome “que” introduz uma informação essencial, completando o sentido do verbo e, portanto, atua como objeto direto.
Alternativa correta: A) objeto direto.
Análise das alternativas incorretas:
B) Adjunto adverbial: Incorreto. Adjunto adverbial indica circunstância (tempo, modo, lugar, etc.), não é o caso aqui.
C) Complemento nominal: Incorreto. Completa nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), via de regra, com preposição, o que não ocorre nesse período.
D) Objeto indireto: Incorreto. Objeto indireto exige preposição (“presumir de algo” não faz parte da regência padrão).
E) Sujeito: Incorreto. O sujeito do verbo “presumir” está oculto (eu), e a oração subordinada não ocupa função de sujeito.
Dica de prova: Sempre observe se a oração subordinada inicia por que ou se e veja o sentido do verbo anterior: se não houver preposição, é provável que seja objeto direto (objetiva direta).
Regra fundamental: “Oração subordinada substantiva objetiva direta é aquela que completa o sentido do verbo transitivo direto, sem preposição, exercendo função de objeto direto, como em ‘Espero que você estude’.”
Resumo estratégico: Identifique o verbo, veja se pede complemento sem preposição e se a oração exerce esse complemento – se sim, é objeto direto!
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Comentários
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Quem presume? Eu (sujeito desinencial)
Quem presume, presume algo = que a moça (O.Direto)
A oração iniciada por conjunção integrante exerce a função de objeto direto.
GABARITO A
“Presumo QUE A MOÇA adormecida na cabine
Presumo ISSO. (conjunção integrante). Orações inicadas por conjunção integrante exercem a função de OBJETO DIRETO.
Ou podemos fazer de uma forma mais simples: Quem presume, PRESUME alguma coisa: "QUE A MOÇA ADORMECIA NA CABINE." Logo, exercendo a função de OBJETO DIRETO (sem preposição).
Bons estudos.
Basta substituir o termo depois do verbo por "isso"
Presumo isso(...) tem sentido ? SIM, então senta o dedo na alternativa.
a-
Presumir nao precisa de preposicao. logo, seu complemento é objeto direto
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