Tendo em vista o evento relatado na manchete acima e seus co...
Texto para as questões 51 e 52.
Tragédia do litoral de SP: corpo de desaparecido
é encontrado, e número de mortes sobe para 65
Encontro aconteceu na tarde deste domingo (26). Os bombeiros haviam informado que esta seria a última vítima, mas há a possibilidade de outra pessoa estar desaparecida no bairro Baleia Verde.
Fonte: g1.globo.com, em 26/02/2023
Sabendo que os deslizamentos ocorreram 7 dias antes da publicação dessa manchete, responda as questões seguintes.
Tendo em vista o evento relatado na manchete acima e seus conhecimentos de medicina legal, assinale a opção correta.
- Gabarito Comentado (1)
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- Estatísticas
- Cadernos
- Criar anotações
- Notificar Erro
Gabarito comentado
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Tema central: Antropologia/Patologia Forense aplicada a deslizamentos e desabamentos: mecanismos de morte (asfixias mecânicas e politrauma) e evolução cadavérica (putrefação) em contexto de soterramento.
Alternativa correta: D – Em deslizamentos e desabamentos, um mecanismo de morte frequente é a “sufocação indireta”, isto é, a impedimento dos movimentos respiratórios por compressão toracoabdominal e/ou sepultamento por massa terrosa, além da obstrução de vias aéreas por terra/lama. Esse quadro integra o grupo das asfixias mecânicas descritas nos tratados de Medicina Legal (Genival Veloso de França; Croce & Croce), que incluem sufocação direta/indireta, soterramento, esmagamento torácico e afogamento em lama. Em cenários reais, a morte pode decorrer isoladamente de asfixia ou associada a politrauma contuso.
Análise das incorretas
A) Lesões perfuroincisas (armas brancas) não são o padrão em deslizamentos. O esperado são traumas contusos (esmagamento, fraturas, TCE), além de asfixias por compressão/obstrução. Logo, há erro de natureza da lesão.
B) “Deve estar na fase cromática” após 7 dias: afirmação inadequada. A fase cromática (mancha verde abdominal) surge tipicamente em 24–48h e evolui para a fase enfisematosa (gases) por volta de 3–5 dias em clima quente/úmido. Em 7 dias, especialmente no litoral paulista e com muita umidade, é provável já haver enfisema cadavérico. O soterramento pode modular o ritmo (maior umidade e menor oxigênio), mas não permite afirmar obrigatoriamente “fase cromática”. Portanto, há generalização temporal imprópria (França, Medicina Legal; Spitz & Fisher, Forensic Pathology).
C) Reduz o soterramento a “traumas causados pelo material”. Embora o trauma contuso ocorra, o marco do soterramento é a asfixia por compressão torácica e/ou obstrução de vias aéreas por terra/lama. A frase está incompleta e desvia do principal mecanismo letal.
E) “As mortes terão como mecanismo a asfixia mecânica”: é absolutista. Em deslizamentos, além de asfixia, são comuns politrauma, TCE grave, hemorragias, afogamento em lama/água e até hipotermia. Portanto, não se pode excluir outros mecanismos (Croce & Croce; UpToDate – Crush injury and asphyxia in structural collapse).
Estratégia de prova
- Em cenários de massa (deslizamento/desabamento), pense em asfixias por compressão/obstrução + trauma contuso.
- Cuidado com palavras como “deve” ou “todas”: costumam sinalizar generalizações erradas (ex.: fases da putrefação variam com clima, umidade e soterramento).
- Associe o tempo pós-morte ao ambiente: 7 dias em clima úmido/ quente tende a fase enfisematosa, não apenas cromática.
Referências úteis: França GV. Medicina Legal; Croce & Croce. Medicina Legal; Spitz & Fisher. Forensic Pathology; UpToDate (Crush/asphyxia in collapses).
Gabarito: D
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Gabarito: D
Em sentido amplo, existe soterramento quando o indivíduo fica completamente coberto pelos escombros de um desmoronamento. Nesta situação, vários são os mecanismos da morte:
- Sufocação indireta por compressão torácica pelos escombros;
- Sufocação direta por partículas sólidas como lama e areia;
- Confinamento
- Ação contudente
- Soterramento propriamente dito;
A sufocação indireta é um tipo de asfixia causada pela compressão torácica por força extrínseca (que vem de fora) ou peso excessivo que impede os movimentos do tórax.
Frequentemente observa-se a máscara equimótica de Morestin, também chamada de cianose cérvico-facial de Le Dentut, que é a cor violácea intensa da face, pescoço e parte superior do tórax.
Medicina Legal e Noções de Criminalística. Neusa Bittar,2019.
- Asfixia direta: Ocorre quando há obstáculos mecânicos nos orifícios respiratórios, como a boca, o nariz ou a glote. Um exemplo é o engasgamento, que é causado por um corpo estranho.
- Asfixia indireta: Ocorre quando há compressão externa do tórax, impedindo os movimentos respiratórios.
Soterramento:
Sinal de Montalti (Montalti = Monte de terra) -> Máscara equimótica de Morestin
ACRESCENTANDO: GAB.D
Em penetrações de terra, um dos mecanismos de morte pode ser uma sufocação indireta, pois a pressão e o peso do deslizamento do material podem obstruir as vias aéreas, causando asfixia.
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A Lesões perfuroincisas não são predominantemente esperadas em vítimas de penetração da terra. Geralmente, as vítimas apresentam lesões contusas e esmagamentos causados pelo impacto do material que as soterraram.
B O corpo encontrado relacionado à notícia provavelmente não estaria na fase cromática da putrefação após apenas sete dias. Essa fase ocorre posteriormente, e o corpo poderia estar em estágios iniciais de previsão.
C O soterramento é caracterizado não apenas pelos traumas causados pela deslizamento do material, mas também por outros tipos de lesões, como esmagamentos e contusões, que ocorrem devido à pressão do material.
E Embora a asfixia mecânica seja um mecanismo de morte em casos de soterramento, não é correto afirmar que todas as mortes observadas têm como mecanismo a asfixia mecânica, pois as lesões traumáticas também são comuns.
O sinal de Montalti, como menciona a colega Cibele, pode até ter alguma relação com o soterramento, mas quando se fala desse sinal as bancas costumam relacionar a respiração da vítima durante incêncio ou algo do tipo, porque o Sinal de Montalti ocorre em decorrência da aspiração de fuligem ou de materiais pulverulento, para identificar se a vítima estava viva ou não durante o episódio provocado pelo agente vulnerante.
Então, cuidado com esse bizu "monte de terra" = "sinal de montalti", para não esquecerem sobre a fuligem nas vias áreas.
Portanto, o sinal de Montalti pode ser observado tanto em mortes por incêndio quanto em mortes por soterramento, desde que haja a inalação de material pulverulento. No entanto, a literatura forense geralmente utiliza o termo para referir-se especificamente à fuligem de incêndios.
Se algo estiver errado, me corrijam, por favor.
Fonte: meus resumos e o Google.
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