O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A MAIOR IRONIA PRESENCIADA POR TODOS NÓS
(1º§) Com o ensino cada vez pior - e ainda por cima
sendo mais difícil conseguir uma reprovação, temos
gente saindo das universidades quase sem saber
coordenar pensamentos e expressá-los por escrito, ou
melhor: sem saber o que pensar das coisas,
desinformados e desinteressados de quase tudo.
(2º§) Fico imaginando como será em algumas décadas.
A ignorância alastrando-se pelas casas, escolas,
universidades, escritórios, congressos, senados...
Multidões consumistas ululando nas portas e corredores
de gigantescos shoppings, países inteiros saindo da
obscuridade - não pela democracia, mas para participar
da orgia de aquisições, e entrar na modernidade.
(3º§) Em algumas coisas sou tão pessimista: essa é uma
delas. Mas acredito que os que ainda quiserem pensar,
estudar, descobrir, inventar, pintar, dançar, cantar ou
escrever vão viver numa espécie de ilha. Talvez em
universidades tradicionais ou ultra adiantadas, ou no
aconchego de bibliotecas em casa, praticamente todas
de e-books ou recursos com que nem sonhamos,
exigindo pouco espaço. Já existem em países
adiantados intelectuais, pensadores, pesquisadores,
cientistas pagos simplesmente para pensar.
(4º§) Criar, inventar, descobrir. Um deles, meu
conhecido, cujo hobby é tocar piano, conseguiu, sem ter
de pedir, uma sala enorme à prova de som, para tocar
altas horas ou de dia, sem incomodar vizinhos.
(5º§) As atuais agitações em países do Oriente me
fizeram pensar que a filosofia (os gregos) foi substituída
pela religião, a religião pelas ideologias, e as ideologias,
atualmente, pelo consumismo.
(6º§) Não sou contra consumir, gosto do meu celular
eficiente e relativamente moderno, embora saiba que em
poucas semanas, ou dias, ele estará ultrapassado. Isso
não me incomoda. Não me deixa ansiosa por trocar este
por outro, que em pouco tempo também deverá ser
substituído, numa compulsão idiota. Não gosto é dessa
compulsão idiota. Meu computador e meu notebook são atualizados e eficientes, mas não me importa que em
algumas semanas estejam superados, desde que
funcionem bem. Gosto de poder trocar de carro quando
o outro bate biela (não sei o que é biela mas ouvi falar).
Porém, nem posso nem desejo estar sempre com o
último modelo, ou o mais luxuoso. Diante da miséria de
meu país, acho que isso me envergonharia, como
caríssimas joias e bolsas ou roupas de grife.
(7º§) Vivo uma busca de simplicidade, que ajuda
bastante a viver curtindo mais e melhor as coisas boas
que existem no meio do horror. Podem ser simplíssimas,
como um livro interessante, um Mozart profundo, as
crianças que correm no jardim de uma casinha que
temos na montanha. Um casal de guaxinins fez seu
ninho embaixo da varanda, nosso novo encantamento.
Se a gente não consegue coisas desse tipo, a vida fica
pesada demais. Corrida demais. Relógios demais,
compromissos demais, bebida, comida, contas demais, e
de repente a velha que chamamos Morte revira seus
olhos sinistros de gato, limpa os bigodes e prepara o
bote.
(8º§) E nós, onde estamos? Em casa, na cama, na loja,
no bar, na praia, na multidão enlouquecida, na solidão do
hospital - ou rodeados de alguns afetos essenciais? Ou
sozinhos, mas apaziguados? Ou em alguma ilha, que
pode ser de artistas ou pensadores dignamente
valorizados, ou no minúsculo escritório, ou quarto, em
casa, sentindo o contentamento de alguns momentos
bons, ou simplesmente refletindo, contemplando?
(9º§) Vamos ter "aproveitado" a vida, coisa que se
aconselha aos jovens desde o tempo de minhas avós -
aos rapazes naturalmente, naqueles tempos de moças
recatadíssimas-, vamos continuar infantilizados, ou
vamos melhorar um pouco como seres humanos?
(10º§) Ou isso tudo não nos interessa nadinha (o que é
mais provável)?
Marque a alternativa com a opção de palavras contendo,
respectivamente: um monossílabo átono, um dissílabo
oxítono; um polissílabo paroxítono, um polissílabo
proparoxítono:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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