Paciente jovem do sexo feminino procura o médico com sintoma...

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Ano: 2018 Banca: Fundação FAPEC Órgão: UFMS Prova: FAPEC - 2018 - UFMS - Médico |
Q3576407 Medicina
Paciente jovem do sexo feminino procura o médico com sintomas de irritabilidade, palpitações e cansaço fácil. Ao exame a paciente apresenta-se taquicárdica, com pele quente e úmida, retração de pálpebras e aumento doloroso da região cervical anterior. Os exames laboratoriais que trouxe mostraram TSH = 0,01 UI/mL e T4L = 4,2 ng/dL. O eletrocardiograma demonstra apenas taquicardia sinusal. Sobre este quadro em tela podemos afirmar que:
Alternativas

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Tema central: quadro de tireotoxicose em paciente jovem com dor cervical anterior, pele quente/úmida, taquicardia, retração palpebral e TSH suprimido com T4L elevado — sugestivo de tireoidite subaguda (de Quervain), forma destrutiva e transitória de hipertireoidismo.

Alternativa correta: CA cintilografia de tireoide (com captação de iodo radioativo ou tecnécio) é o método mais confiável para o diagnóstico diferencial das tireotoxicoses. Diferencia produção aumentada de hormônios (ex.: Graves: captação difusamente aumentada; bócio nodular tóxico: captação focal) de liberação destrutiva (ex.: tireoidite subaguda: captação reduzida/praticamente ausente). Isso orienta a conduta (antitireoidianos vs. anti-inflamatórios). Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; Diretrizes ATA 2016/2017; UpToDate.

Raciocínio clínico: TSH 0,01 UI/mL + T4L 4,2 ng/dL = tireotoxicose. A dor cervical anterior e sensibilidade à palpação favorecem tireoidite subaguda (geralmente pós-viral), que cursa com VSH/ PCR elevadas, tireoglobulina sérica elevada e captação cintilográfica baixa.

Análise das alternativas incorretas:

A — “Causadas por infecção bacteriana ou viral.” Incorreta. A tireoidite subaguda (de Quervain) é tipicamente viral ou pós-viral. Infecção bacteriana caracteriza a tireoidite aguda supurativa, entidade distinta, geralmente por Staphylococcus/Streptococcus. Mistura conceitos. (Harrison; UpToDate)

B — “Ecografia é o método de escolha…”. Incorreta. O US auxilia (em Graves: hipervascularização “inferno tireoidiano”; em tireoidite subaguda: hipoecogênese e baixa vascularidade), mas não é o método mais confiável para diferenciar a causa. A cintilografia/RAIU é o padrão na diferenciação etiológica da tireotoxicose. (ATA 2016)

D — “Tireoglobulina sérica reduzida na tireoidite subaguda.” Falso. Na tireoidite destrutivalesão folicular com liberação de tiroglobulina, levando a tireoglobulina elevada. Baixa tireoglobulina sugere fato tireotóxico exógeno (ingestão de hormônio). (UpToDate)

E — “Trata-se de hipotireoidismo… iodo radioativo.” Duplamente incorreta: o quadro é de hipertireoidismo; além disso, a tireotoxicose da tireoidite subaguda não responde a iodo radioativo (não há síntese aumentada). O tratamento é sintomático com beta-bloqueador e AINEs ou corticoide nos casos moderados/graves; antitireoidianos não têm papel. (ATA; Harrison)

Dicas de prova:

- Dor tireoidiana + TSH suprimido: pense em tireoidite subaguda e captação baixa na cintilografia.

- Para diferenciar causas de tireotoxicose, lembre: RAIU/cintilografia = padrão-ouro; ultrassom é complementar.

Conduta prática: beta-bloqueador para sintomas; AINEs ou prednisona se dor intensa; monitorar evolução (pode haver fase transitória de hipotireoidismo). Antitireoidianos e RAI não são indicados na fase destrutiva.

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