Paciente do sexo feminino de 28 anos, é atendida no ambulató...

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Ano: 2018 Banca: Fundação FAPEC Órgão: UFMS Prova: FAPEC - 2018 - UFMS - Médico |
Q3576394 Medicina
Paciente do sexo feminino de 28 anos, é atendida no ambulatório de Clínica Médica com história de palpitações esporádicas de início súbito, associada a mal-estar geral, e sem sinais sugestivos de baixo débito. Os episódios cessam espontaneamente depois de alguns minutos. Durante o exame físico o médico foi surpreendido com PA = 110x70 mmHg e FC = 186 bpm. Realizou Eletrocardiograma de imediato que mostrou taquicardia de QRS estreito. Qual a primeira conduta a ser tomada neste caso? 
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Tema central: Taquicardia supraventricular (TSV) paroxística com QRS estreito, regular e paciente hemodinamicamente estável. O foco é a conduta inicial.

Alternativa correta: A – Manobra vagal

Em TSV por reentrada (AVNRT/AVRT ortodrômica), o circuito depende do nó AV. Aumentar o tônus vagal prolonga a refratariedade do nó AV e pode interromper o circuito. Por isso, em paciente estável com taquicardia regular e QRS estreito, a primeira conduta é realizar manobras vagais (ex.: Valsalva modificada – método REVERT – ou massagem do seio carotídeo se não houver contraindicadores). Diretrizes AHA/ACC/HRS para TSV e o algoritmo ACLS recomendam manobras vagais como passo inicial antes de fármacos (AHA 2020/2024; ACC/AHA/HRS 2015; UpToDate; Harrison’s).

Estratégia para interpretar: Início súbito, palpitações, FC ~180 bpm, QRS estreito e ritmo regular, PA preservada → sugere TSV estável. Nessas condições, não cardioverter nem iniciar antiarrítmico de imediato; tente vagal primeiro.

Sequência recomendada (se vagal falhar): Adenosina em bolus rápido 6 mg IV, seguida de 12 mg se necessário; monitorização contínua. Se ineficaz/contraindicada, considerar verapamil/diltiazem ou betabloqueador em ambiente monitorado. Instabilidade hemodinâmica → cardioversão elétrica sincronizada. (AHA ACLS 2020/2024; ACC/AHA/HRS 2015).

Análise das incorretas:

B – Amiodarona 300 mg VO: Via oral tem início lento e não é terapia de primeira linha para TSV de QRS estreito estável. Amiodarona IV é reservada a taquicardias de QRS largo ou quando outras medidas falham. Pode causar hipotensão e prolongar QT. (Harrison’s; UpToDate).

C – Propafenona 600 mg VO: Estratégia “pill-in-the-pocket” para fibrilação atrial em pacientes selecionados, não para AVNRT/AVRT em cenário agudo. Risco de proarrítmia, especialmente se houver doença estrutural. (ACC/AHA; UpToDate).

D – Cedilanide EV (digitálico): Age no nó AV, mas tem início lento, janela terapêutica estreita e não é primeira escolha na TSV aguda. Contraindicado em pré-excitação com FA. Hoje é raramente usado nesse contexto. (Diretrizes e Harrison’s).

E – Adenosina endovenosa (“2 ampolas”): Adenosina é segunda etapa após falha das manobras vagais em TSV regular. Além disso, a prescrição deve ser por dose (6–12 mg), não por “ampolas”, que variam em concentração. Frase ambígua e não alinhada às diretrizes. (AHA ACLS 2020/2024).

Pegadinhas de prova: “QRS estreito regular + estável” → vagal primeiro. Cuidado com enunciados que sugerem dose por ampola. Verifique sempre regularidade do ritmo (adenosina é contraindicada em FA com pré-excitação).

Referências: ACC/AHA/HRS Guideline for SVT (2015); AHA ACLS Tachycardia Algorithm (2020/2024); UpToDate: “Narrow QRS tachycardias”; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: A – Manobra vagal.

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