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Ano: 2018 Banca: Fundação FAPEC Órgão: UFMS Prova: FAPEC - 2018 - UFMS - Médico |
Q3576392 Medicina
Uma paciente de 18 anos deu entrada no serviço de Pronto Atendimento com glicemia de 720 mg%. O plantonista fez uma gasometria arterial que mostrou pH = 7,21; pCO² = 21; pO² = 98; HCO³ = 8; BE = - 16 e Sat = 98%. Podemos afirmar que estamos diante de um perfil gasométrico de: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Interpretação de distúrbios ácido–base na gasometria. O caso revela acidemia com HCO3− muito reduzido e pCO2 baixo por hiperventilação compensatória. Em contexto de hiperglicemia importante, o padrão é típico de acidose metabólica (ex.: cetoacidose diabética).

Alternativa correta: C – Acidose metabólica

Por quê? O primeiro passo é checar o pH: está baixo (acidemia). Em seguida, identificar o distúrbio primário: o HCO3− está reduzido, indicando acidose metabólica. O pCO2 também está reduzido, o que sugere compensação respiratória. Aplicando a fórmula de Winter (pCO2 esperada ≈ 1,5 × HCO3− + 8 ± 2), o pCO2 medido cai dentro do intervalo esperado, afastando distúrbio misto. O base excess muito negativo reforça acidose metabólica. Em cenário de glicemia muito elevada, pensar em cetoacidose diabética (CAD), que cursa com ânion gap elevado (Harrison’s; UpToDate).

Análise das incorretas

  • A – Acidose mista: exigiria, além da acidose metabólica, retenção de CO2 (pCO2 alto) por componente respiratório. Como o pCO2 está adequadamente baixo pela fórmula de Winter, não há segundo distúrbio ácido (Harrison’s).
  • B – Alcalose respiratória: teria alcalemia (pH alto). Mesmo quando crônica, a queda do HCO3− seria compensatória, mas o pH permaneceria alcalino. Aqui há acidemia, logo não é alcalose respiratória.
  • D – Alcalose metabólica: esperaria-se HCO3− elevado e pH alto, o oposto do achado.
  • E – Acidose respiratória: cursa com pCO2 elevado (hipoventilação). O pCO2 está baixo, afastando essa hipótese.

Estratégia em prova (passo a passo):

  • 1) Identifique o pH (acidemia vs alcalemia).
  • 2) Defina o distúrbio primário pelo HCO3− e pCO2.
  • 3) Verifique a compensação (fórmula de Winter na acidose metabólica).
  • 4) Se possível, calcule o ânion gap e relacione ao contexto clínico (CAD, acidose láctica, intoxicações).

Aplicação clínica: Em CAD, a tríade é hiperglicemia, cetose e acidose metabólica com ânion gap elevado. Solicite cetonas/beta-hidroxibutirato, eletrólitos (especial atenção ao K+), função renal e gatilhos. Tratamento de escolha: reposição volêmica com SF 0,9%, insulina regular EV, correção do potássio e monitorização do ânion gap; bicarbonato apenas em acidose grave (pH muito baixo), conforme diretrizes internacionais (ADA/UpToDate).

Fontes: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Evaluation of acid-base disorders; Diabetic ketoacidosis in adults).

Gabarito: C

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