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Q1718355 Português
Leia o trecho do poema “Em linha reta” de Fernando Pessoa e em seguida assinale a alternativa que contém a figura de linguagem à qual se refere: “...Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida... Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?”
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Tema central: Esta questão trabalha figuras de linguagem, tema recorrente em provas de Língua Portuguesa para concursos. A habilidade essencial aqui é a interpretação de texto e o reconhecimento do recurso expressivo utilizado pelo autor para transmitir uma crítica ou mensagem implícita.

Justificativa da alternativa correta – B) Ironia:

A ironia consiste em afirmar algo, mas indicando o oposto. O trecho do poema de Fernando Pessoa (“...Toda a gente que eu conheço...nunca teve um ato ridículo...todos eles príncipes...”) não deve ser interpretado ao pé da letra. O poeta, de forma irônica, diz que todos ao seu redor são perfeitos, nunca cometem erros, são “príncipes”. Entretanto, o sentido real é o contrário — critica-se aqui a hipocrisia e a falsa imagem de perfeição. Há um contraste entre o que é dito e o que realmente se pensa, essência da ironia, conforme ensinam Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) e Cunha & Cintra (“Nova Gramática do Português Contemporâneo”).

Análise das alternativas incorretas:

A) Hipérbole: Trata-se do exagero intencional, como em “chorou rios de lágrimas”. No trecho, embora haja aparente exagero (“todos eles príncipes”), o objetivo não é ressaltar quantidade, mas expor contradição — logo, não é hipérbole.

C) Eufemismo: É o ablandamento de ideias desagradáveis, como em “ele partiu para sempre” (em vez de “morreu”). O poema não suaviza nada; ao contrário, utiliza a oposição e o desacordo.

D) Prosopopeia: Ou personificação, é quando se atribuem características humanas a seres inanimados. No trecho, nenhum objeto ou animal recebe ações ou sentimentos humanos, portanto, não se aplica.

Elementos essenciais de interpretação: O candidato deve atentar para o tom crítico do eu-lírico e para as oposições implícitas (“todos perfeitos”, “só eu sou falho”), percebendo a dissonância entre as palavras e a intenção — característica da ironia. Estratégia importante em concursos: não se deixar enganar pelo literal, buscar a intencionalidade.

Resumo: Reconhecer a ironia é fundamental para interpretar críticas veladas. No contexto do concurso para Médico ginecologista e obstetra, interpretar além do literal pode ser decisivo em textos oficiais e normativos.

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Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida... Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?”

Em tom sarcástico e irônico, o autor faz uma crítica direcionada às pessoas que sentem-se donos de julgarem erros alheios como se fossem santos, e fossem livres de erros.

é aquele ditado.. ... jogue a primeira pedra quem nunca errou.

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