A Febre Maculosa é uma riquetisiose que freqüentemente se a...

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Q3653440 Patologia
A Febre Maculosa é uma riquetisiose que freqüentemente se apresenta de forma grave, caracterizada por início brusco com febre alta, cefaléia, dores musculares intensa, e prostração. Entre o 2º e o 6º dia de doença, geralmente no 4º, aparece exantema máculo papular, que predomina nos membros, não poupando palmas de mãos nem plantas dos pés, que pode evoluir para petéquias, equimoses e hemorragias. As lesões hemorrágicas têm tendência à confluência e a necrose, principalmente, nos lóbulos das orelhas e bolsa escrotal. Edema de membros inferiores e oligúria estão presentes nos casos mais graves. Hepatoesplenomegalia discreta também pode ser observada. Pacientes não tratados evoluem para um estado de torpor, confusão mental, alterações psicomotoras, e coma. Na fase terminal aparece icterícia e convulsões. Cerca de 80% dos indivíduos com forma grave, se não diagnosticados e tratados a tempo, evoluem para óbito (Ministério da Saúde, 1998). O agente etiológico da Febre Maculosa é: 
Alternativas

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Tema central: Bases etiológicas da Febre Maculosa Brasileira (FMB), riquetisiose grave transmitida por carrapatos (Amblyomma), com febre alta, cefaleia, mialgia e exantema que envolve palmas e plantas, podendo evoluir para petéquias, necrose e falência orgânica.

Alternativa correta: A — Rickettsia rickettsii

A FMB é causada pela Rickettsia rickettsii, uma bactéria cocobacilar gram-negativa, intracelular obrigatória, da família Rickettsiaceae. Ela invade células endoteliais, provocando vasculite, o que explica o exantema, as lesões hemorrágicas e a necrose (lóbulos de orelha, bolsa escrotal), além de edema e disfunção renal. Pegadinha: embora a alternativa cite “espiroqueta”, isso é incorreto; o agente está certo (R. rickettsii), mas não é espiroqueta.

Por que as demais estão erradas?

B — Chlamydia psittaci: causa psitacose, pneumonia atípica associada a aves. Não é riquetisiose, não cursa com exantema típico envolvendo palmas/plantas ou necrose cutânea por vasculite.

C — Vírus RNA, gênero Morbillivirus (sarampo): exantema morbiliforme, febre alta e sinais como manchas de Koplik. Em geral, poupa palmas e plantas e não cursa com necrose hemorrágica característica da FMB.

D — Vírus RNA, gênero Rubivirus (rubéola): quadro mais brando, linfadenopatia retroauricular/occipital, artralgias; não há vasculite grave com petéquias extensas e necrose.

Como identificar na prova (estratégia): associe febre alta + exantema que atinge palmas/plantas + gravidade/hemorragias e possível exposição a carrapatos. Lembre-se de que o paciente pode não lembrar da picada.

Diagnóstico e conduta (alto impacto): o diagnóstico é clínico-epidemiológico. Exames de apoio: plaquetopenia, transaminases elevadas, hiponatremia; confirmação por IF indireta (sorologia pareada), PCR em sangue/biopsia de lesão, ou imunohistoquímica. Nunca aguarde resultado para tratar. Tratamento de escolha: doxiciclina o mais precoce possível (idealmente nos primeiros 5 dias), inclusive em crianças; alternativas em situações específicas: cloranfenicol. A demora aumenta a letalidade.

Referências essenciais: Ministério da Saúde – Guia de Vigilância em Saúde (FMB); CDC/UpToDate – Rickettsial diseases; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Dica final: quando a banca mencionar necrose em lóbulos das orelhas/bolsa escrotal com exantema em palmas/plantas, pense imediatamente em R. rickettsii.

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