Paciente com diagnóstico de hepatopatia alcoólica crônica, e...

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Q3950856 Enfermagem
Paciente com diagnóstico de hepatopatia alcoólica crônica, evoluindo com sinais clínicos de insuficiência hepática (icterícia progressiva, ascite, edema periférico e episódios prévios de encefalopatia), encontra-se internado para estabilização clínica. Considerando a fisiopatologia da doença hepática avançada e a assistência de enfermagem, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) O risco de sangramento está aumentado em decorrência da redução da síntese hepática de fatores de coagulação dependentes de vitamina K.
( ) A icterícia decorre do acúmulo de bilirrubina no sangue, refletindo prejuízo na função metabólica e excretora hepática.
( ) A restrição proteica deve ser instituída de forma rotineira e prolongada, independentemente da presença de encefalopatia hepática.
( ) A observação de tremores (asteríxis), rebaixamento do nível de consciência e alterações comportamentais é fundamental para identificação precoce de encefalopatia hepática.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Em hepatopatia crônica descompensada, a falência hepatocelular reduz a síntese de fatores de coagulação, compromete a captação/conjugação/excreção da bilirrubina e exige vigilância clínica para encefalopatia; por isso, a sequência correta é V-V-F-V, com a assertiva sobre restrição proteica rotineira e prolongada sendo a incorreta.

Tema central: Insuficiência hepática avançada
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única compatível integralmente com a fisiopatologia e com a assistência de enfermagem na insuficiência hepática avançada. O primeiro item é verdadeiro porque a falência hepatocelular reduz a síntese de proteínas plasmáticas, incluindo fatores de coagulação dependentes de vitamina K, o que aumenta risco de sangramento. O segundo é verdadeiro porque a icterícia decorre do acúmulo de bilirrubina no sangue por prejuízo da captação, conjugação e/ou excreção biliar, refletindo disfunção metabólica e excretora hepática. O terceiro é falso porque restrição proteica rotineira e prolongada, independentemente de encefalopatia, não constitui conduta padrão e pode agravar desnutrição e sarcopenia. O quarto é verdadeiro porque asteríxis, alterações comportamentais e rebaixamento do nível de consciência são achados clínicos relevantes para identificação precoce de encefalopatia hepática.
B
Errada
Está errada porque transforma em falsa uma assertiva verdadeira sobre icterícia e valida uma conduta nutricional incorreta. Na hepatopatia avançada, a icterícia resulta justamente de hiperbilirrubinemia por falha metabólica/excretora hepática. Além disso, não se sustenta afirmar restrição proteica de forma rotineira e prolongada independentemente da presença de encefalopatia, pois isso pode piorar desnutrição.
C
Errada
Está errada em três pontos. Primeiro, o risco de sangramento não é falso: a insuficiência hepática reduz a síntese de fatores de coagulação. Segundo, a restrição proteica universal e prolongada é inadequada. Terceiro, a vigilância de asteríxis, rebaixamento do nível de consciência e alterações comportamentais é parte fundamental da identificação precoce de encefalopatia hepática, portanto o quarto item não pode ser falso.
D
Errada
Está errada porque marca como falso o quarto item, que é verdadeiro do ponto de vista semiológico. Asteríxis, alteração comportamental e rebaixamento do sensório são sinais clássicos e clinicamente úteis na detecção de encefalopatia hepática, especialmente em paciente com episódios prévios.
E
Errada
Está errada porque nega duas manifestações clássicas da insuficiência hepática e aceita uma conduta nutricional inadequada. O risco hemorrágico aumenta pela redução da síntese de fatores de coagulação, e a icterícia decorre do acúmulo de bilirrubina por disfunção hepática. Já a restrição proteica prolongada e indiscriminada não deve ser considerada verdadeira.
Pegadinha da questão
A banca explora a noção incorreta de que todo paciente com hepatopatia avançada deve receber restrição proteica prolongada; a formulação absoluta do item torna essa assertiva falsa.
Dica para questões semelhantes
  • Em insuficiência hepática, procure primeiro os eixos clássicos: função sintética, metabolismo/excreção da bilirrubina e repercussão neurológica.
  • Se o item nutricional trouxer termos absolutos como "rotineira", "prolongada" ou "independentemente do quadro", desconfie e confronte com o risco de desnutrição e sarcopenia.
  • Na encefalopatia hepática, valorize sinais clínicos de vigilância de enfermagem: asteríxis, alteração comportamental e nível de consciência.
  • Não reduza o risco de sangramento apenas a plaquetas ou hipertensão portal; na insuficiência hepática, a falha de síntese de fatores de coagulação é critério decisivo.

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