Uma delícia que pode matar Estamo...
Uma delícia que pode matar
Estamos falando da ostra — é claro. Uma criatura muito louca. Para começar, ela não apenas é hermafrodita, mas também ambivalente. Isto é, possui os órgãos reprodutores dos dois sexos e eles funcionam com a mesma intensidade. Durante a sua vida — que pode durar até 15 anos! — a ostra pode ser fêmea e depois macho e ir alternando entre ser macho e ser fêmea (...).
Bom, as revistas desta semana estão cheias de indicações de restaurantes que servem ostras e dos diversos modos de prepará-las. Mas por que nesta época? Porque estamos no inverno — em meses sem R. E essa é uma regrinha invertida. Na Europa, não se deve comê-las de maio a setembro, porque é o período de calor mais forte e, no hemisfério sul, sim, o ideal é comê-las de maio a agosto, porque são meses mais frios, menos prováveis de o calor facilitar a proliferação de bactérias que a ostra absorve da água, uma vez que se alimenta de plânctons e faz isso sugando e filtrando a água. Uma ostra adulta pode filtrar até 15 litros de água por dia. Imaginem de uma água contaminada! E quando isso acontece, o itinerário do gourmet que a apreciou é banheiro, UTI ou… cemitério. Sim, uma ostra envenenada é uma serial killer!
Reinaldo Paes Barreto. Disponível em: http://jblog.com.br/reinaldo/. Acesso em 05 ago. 2018.
Com base no texto, assinale a alternativa, cuja relação NÃO foi corretamente identificada.
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Gabarito: A
Tema central: Esta questão aborda interpretação de texto com foco nas relações semânticas estabelecidas pelas conjunções – elementos responsáveis por indicar adição, oposição, causalidade e temporalidade entre ideias.
Para acertar, é fundamental reconhecer o papel das conjunções segundo a norma-padrão da Língua Portuguesa, como explicitam Cunha & Cintra e Bechara. Conjunções coordenativas aditivas (“e”, “não só... mas também”) unem ideias semelhantes; as adversativas (“mas”, “porém”) opõem ideias; causais (“porque”) dão motivo ou causa; e temporais (“quando”) situam as ações no tempo.
Justificativa da alternativa correta (A):
No trecho “ela não apenas é hermafrodita, mas também ambivalente”, a estrutura “não apenas... mas também” expressa adição de informações, e não oposição. Isso significa apresentar duas características juntas, somando-as. Portanto, atribuir oposição a essa relação está incorreto.
Análise das alternativas incorretas:
B) “porque”: Indica causalidade, pois apresenta o motivo de não comer ostras naquele período. Está correta.
C) “e”: Indica adição de ações, listando comportamentos alternados da ostra. Também correta.
D) “quando”: Introduz uma condição de temporalidade, situando a consequência na linha do tempo. Correta.
Atenção à pegadinha: A expressão “não apenas... mas também” é campeã nas provas! Muitos a confundem com oposição devido ao “mas”, mas lembre-se: ela soma características. Em provas, destaque conjunções compostas e sua intenção textual (adição x oposição).
Regra normativa: Segundo a Moderna Gramática Portuguesa (Bechara), conjunções como “mas também”, quando antecedidas de “não só”, reforçam a ideia de adição.
Dica de interpretação: Sempre relacione o conectivo ao contexto imediato da frase e desconfie de associações automáticas; “mas” isolado é oposição, mas dentro de estruturas como “não só... mas também” indica adição.
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Comentários
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GABARITO: LETRA A.
A conjunção em destaque possui valor ADITIVO e não de oposição. Ela não é só hermafrodita, mas ela também é ambivalente.
Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando ideia de acrescentamento ou adição. São elas: e, nem (= e não), não só... mas também, não só... como também, bem como, não só... mas ainda.
mas também / como também ==> adição, inclusão.
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