A respeito dos dois casos relacionados ao esporte, o terape...
I- Uma digitadora que relatava dor, crepitação, calor e vermelhidão na região das mãos e punhos; trabalhava cerca de três horas seguidas (sem intervalo) sob enorme pressão, de forma a estar produzindo um número elevado de matérias por dia; queixava-se de trabalhar em uma mesa muito alta em relação ao seu tamanho e da pouca iluminação do ambiente de trabalho.
II- Um homem que costumava jogar vôlei aos finais de semana como forma de distração e lazer, que, após o término de seu último jogo, estava sentindo fortes dores na região lateral do braço direito.
III- Um homem, atleta profissional de vôlei, que apresentava sintomas e queixas idênticos ao caso anterior, mas que realizava treinos diários e de longa duração, em que vários exercícios repetitivos eram realizados de forma incessante. Segundo relato desse paciente, a dor era bastante forte e irradiava-se na face lateral de seu braço direito — dominante — e, além disso, havia crepitação e dificuldade na realização do movimento de elevação do braço. Somado a tudo isso, o atleta também demonstrava alto grau de ansiedade, visto que a fase final de um campeonato estava se aproximando, o que provocou um aumento excessivo no nível de cobrança do treinador, para que os resultados do time fossem cada vez mais positivos.
Considerando que, após a análise dos três casos, o terapeuta ocupacional tenha elaborado um plano de tratamento específico para cada um deles, julgue os itens que se seguem.
Gabarito comentado
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Gabarito: E (Errado)
1. Tema central da questão
A questão trata da atuação do terapeuta ocupacional frente a possíveis casos de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), questionando se lesões decorrentes da prática esportiva profissional e amadora podem ou não ser consideradas nesse contexto.
2. Resumo teórico
Os DORT são lesões causadas por atividades repetitivas, sobrecarga, postura inadequada e fatores psicossociais relacionados ao trabalho. Segundo o Ministério da Saúde e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), qualquer atividade com características laborais — inclusive o esporte profissional — pode gerar DORT, pois envolve rotina, exigência produtiva e repetitividade. Para atletas profissionais, o esporte configura-se como atividade laboral.
3. Fundamentação e fontes
O Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde do Trabalhador (MS/SUS) e a literatura acadêmica (ABRASTT, 2017) incluem atletas profissionais como população suscetível a DORT, pois o esporte, neste caso, representa trabalho. Em situações amadoras, o vínculo com DORT depende de fatores específicos, mas não pode ser simplesmente descartado.
4. Justificativa da alternativa correta
A afirmativa está errada. O terapeuta ocupacional deve, sim, estabelecer planos de tratamento para atletas profissionais, pois sua atividade esportiva é uma forma de trabalho, sujeita às mesmas exigências de produtividade e condições adversas que podem causar DORT. Ignorar esses casos seria um equívoco técnico, além de restringir o direito do usuário ao cuidado adequado.
5. Estratégias de interpretação
Ao ler o enunciado, atenção à palavra "única função" e ao contexto dos pacientes. Sempre questione se há vínculo laboral, mesmo em situações não convencionais — como o esporte profissional. Palavras como "não deveria" indicam afirmações absolutas; desconfie e busque exceções.
Conclusão
Portanto, não é correto excluir atletas profissionais do tratamento de DORT em serviços de reabilitação física, pois o contexto de trabalho está presente em sua atividade.
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