Uma paciente, 59 anos de idade, foi ao pronto atendimen...
Exame físico vascular:
Abdome: globoso, flácido. Indolor à palpação. Ausência de visceromegalias pulsáteis.
Membro inferior esquerdo: lesão ulcerada, arredondada, diâmetro de 4 cm, com bordas definidas, inodora, sem secreção purulenta e dolorosa à palpação em face lateral no terço distal da perna. Presença de telangectasias. Pulso femoral, poplíteo, tibial posterior e pedioso palpáveis. TEC < 3 seg no pé. Sensibilidade preservada no pé.
Membro inferior direito: presença de telangectasias. Pulso femoral, poplíteo, tibial posterior e pedioso palpáveis. TEC < 3 seg no pé. Sensibilidade preservada no pé.
Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico adequado.
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Tema Central: Trata-se de uma questão sobre diagnóstico diferencial das úlceras cutâneas dos membros inferiores, assunto muito frequente em provas de Residência Médica na área de Angiologia.
Justificativa da Alternativa Correta – A) Úlcera hipertensiva ou de Martorell:
A úlcera de Martorell é conhecida como úlcera hipertensiva e caracteriza-se por ser extremamente dolorosa, com bordas regulares, fundo limpo e localização predominante na face lateral distal da perna. É mais comum em mulheres entre 50 e 70 anos, com história de hipertensão arterial sistêmica não controlada — exatamente o perfil da paciente do caso. A dor intensa, desproporcional ao aspecto da úlcera, é um achado típico.
Segundo referências como o Harrison’s Principles of Internal Medicine (20ª ed., p. 3027) e dados de revisões em UpToDate, o diagnóstico é clínico, baseando-se nos elementos apresentados na questão: ausência de sinais de insuficiência venosa/arterial, lesão arredondada, início insidioso e muita dor.
Análise das Alternativas Incorretas:
B) Úlcera neuropática: Típica de pacientes diabéticos, está localizada principalmente em áreas de pressão (artelhos, planta do pé), em região insensível, o que não ocorre neste caso (sensibilidade preservada e localização lateral da perna).
C) Úlcera venosa: Ocorre geralmente em região maleolar medial, com bordas irregulares, presença de edema, varizes e escurecimento/perda de elasticidade da pele. A paciente possui pulso e perfusão normais, sem edema ou sinais de insuficiência venosa.
D) Úlcera arterial: Ocorre em regiões mais distais (dedos, maléolo lateral) associada à ausência de pulsos, isquemia, pele fria e dor ao repouso. Neste caso, os pulsos estão presentes e a perfusão é adequada (TEC <3s).
E) Doença de Bowen: Trata-se de carcinoma in situ (lesão eritematodescamativa, não uma úlcera dolorosa profunda) e não se encaixa no quadro apresentado.
Pontos-Chave e Estratégias: Para acertar questões similares, destaque:
- Dor intensa desproporcional ao exame físico (dica forte para Martorell)
- Localização da úlcera
- História de HAS mal controlada
Lembre-se: para a úlcera de Martorell, atente às comorbidades e ao padrão da lesão! Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, o tratamento envolve o controle rigoroso da PA e cuidados locais da úlcera (2018, Diretriz Sbacv).
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