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Q3126724 Medicina
    Um paciente, 58 anos de idade, compareceu ao pronto‑socorro com queixa de dor em membro inferior esquerdo, hiperemia e febre há 48 horas, sem eventos semelhantes prévios. Ele relatou ter feito uso de anti‑inflamatórios via oral nos últimos 2 dias; no entanto, notou apenas melhora no controle da febre após o uso da medicação e persistência do eritema. Ele contou, ainda, que é diabético, tabagista e já foi submetido à cirurgia de revascularização do membro inferior esquerdo com confecção de enxerto fêmoro‑poplíteo com prótese há nove anos. O paciente possui alergia a iodo e à penicilina. Sinais vitais normais. Ao exame físico do membro, o paciente apresentava hiperemia delimitada até o joelho, dor à palpação da panturrilha, discreto empastamento, edema 2+/4+, sinal da bandeira positivo, sinal de Homans negativo, pulsos distais palpáveis. Foram solicitados exames laboratoriais que demonstraram leucocitose discreta e PCR elevado. Foi solicitado também ultrassom Doppler venoso de membros inferiores que descartou trombose venosa profunda associada ao quadro. 

Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e a indicação principal do regime de tratamento na administração da antibioticoterapia para esse paciente.
Alternativas

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Tema central: A questão aborda diagnóstico e conduta frente a infecções cutâneas agudas dos membros inferiores, principalmente em pacientes com comorbidades vasculares e metabólicas, como diabetes e enxertos vasculares prévios.

Análise do caso: O paciente apresenta eritema delimitado, edema, dor na panturrilha, febre, antecedentes de diabetes, cirurgia vascular com enxerto femoropoplíteo e alergias medicamentosas. O ultrassom descarta trombose venosa profunda, reforçando infecção cutânea. O quadro é tipicamente de erisipela pela apresentação aguda, limites precisos do eritema e sintomatologia sistêmica leve.

Destaques da diretriz: Segundo o "Projeto Diretrizes" da Associação Médica Brasileira: “A revascularização da extremidade e sua manutenção, mesmo em situações complexas, é fator determinante na qualidade de vida do paciente revascularizado.” Ou seja, evitar infecção do enxerto é prioridade absoluta. O paciente diabético apresenta ainda risco aumentado de infecções graves e complicações locais, exigindo vigilância clínica.

Justificativa da alternativa E (correta): O paciente tem erisipela, associada a comorbidades graves (diabetes, enxerto vascular e ferida próxima ao enxerto), exigindo hospitalização para antibioticoterapia parenteral. Esse cuidado visa prevenir infecção do enxerto e complicações sistêmicas. O regime ambulatorial seria inadequado, podendo atrasar a identificação de piora clínica.

Análise das alternativas incorretas:

  • A/C: Sugerem tratamento ambulatorial, desconsiderando os fatores de risco de gravidade e a proximidade do enxerto.
  • B: Considera hospitalização correta, porém o diagnóstico de celulite destoa, pois a celulite é geralmente menos delimitada e acomete planos mais profundos.
  • D: Considera apenas intolerância a anti-inflamatórios, sendo critério insuficiente para internação neste contexto.

Atenção para pegadinhas: Fique atento a detalhes como histórico vascular e comorbidades sistêmicas; eles elevam o grau de preocupação e modificam a abordagem. O termo "hyperemia delimitada" contribui para diferenciar erisipela de celulite.

Resumo prático: Em pacientes com erisipela e fatores de risco (diabetes, enxerto) ou proximidade da infecção de enxerto vascular, opte por hospitalização para antibioticoterapia venosa.

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