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Q2921443 Medicina

Uma paciente com trinta e cinco anos de idade, casada e sem filhos, deseja engravidar. Ela procurou atendimento clínico na unidade básica de saúde para fazer checkup. No atendimento, negou problemas de saúde agudos ou crônicos, contudo ela referiu que sua mãe havia falecido de câncer do colo de útero e que seu pai é hipertenso. A paciente relatou que gostaria de emagrecer, pois se acha obesa, e que não pratica atividades físicas. O exame físico evidenciou boas condições de saúde, sem constatação de alterações. Sua pressão arterial é de 116 x 82 mmHg e seu IMC, de 28,8 kg/m2.

Com fundamento nessas informações, assinale a opção correta acerca da conduta mais adequada a ser adotada pelo clínico da unidade de atendimento básico.

Alternativas

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Comentário da Questão – Medicina Clínica (Saúde da Mulher e Rastreamento)

Tema central: A questão aborda a abordagem inicial da mulher saudável em idade fértil na Atenção Básica, com foco em educação em saúde e reflexões sobre rastreamento populacional.

Alternativa correta: B

Justificativa:
A conduta do médico deve priorizar a educação em saúde e o estímulo ao autocuidado. Exames de rastreamento devem ser individualizados conforme fatores de risco, e não substituem a promoção da saúde nem garantem qualidade de vida isoladamente. De acordo com o Manual de Atenção Integral à Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, é papel do clínico informar que resultados normais podem gerar falsa sensação de segurança e que exames não previnem todos os agravos possíveis (“a abordagem integral deve considerar prevenção, promoção da saúde e orientação personalizada” – pág. 17).

Além disso, evidências científicas (UpToDate, artigos de revisão) mostram que o excesso de exames sem indicação pode causar falso-negativos e falso-positivos, aumentando ansiedade e possíveis intervenções desnecessárias.

Análise das alternativas INCORRETAS:

A) Solicitar exames (inclusive USG tireoideana/abdominal) sem indicação clínica foge do preconizado pelos protocolos de Atenção Primária, que recomendam triagem guiada por fatores de risco ou sintomas.

C) O IMC de 28,8 kg/m² caracteriza sobrepeso (não obesidade grau I). O tratamento medicamentoso só se considera para obesidade, ou sobrepeso com comorbidades, segundo o Ministério da Saúde (Portaria 424/2013).

D) Não há indicação para encaminhamento a programa de infertilidade: a idade (35 anos) não é critério isolado de infertilidade (“infertilidade primária” exige 1 ano de tentativa gestacional sem sucesso).

E) “Check-up” de rotina sem critério não é indicado; a realização indiscriminada de exames não reduz mortalidade e pode gerar prejuízos (manual MS, pág. 25).

Estrategicamente: busque identificar palavras-chave como “complementação diagnóstica” ou “encaminhamento precoce” e confira se há real indicação segundo diretrizes. Pegadinha comum: sugerir exames ou condutas sem respaldo em sintomas ou fatores de risco claros.

Resumo:
Priorize sempre educação em saúde e abordagem individualizada; exames complementares devem ser racionalizados e respaldados pelas melhores práticas clínicas.

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