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Q3126707 Medicina
    Uma paciente de 60 anos de idade, previamente sem comorbidades conhecidas, compareceu no pronto‑socorro com relato de dor súbita no membro inferior esquerdo, de frialdade e de perda de força há 72 horas. Ela relatou que procurou atendimento no início do quadro devido à intensidade da dor, sendo liberada com anti‑inflamatórios. Ao exame físico: Presença de todos os pulsos em membro inferior direito; em membro inferior esquerdo havia pulso femoral e o pulso poplíteo e os distais estavam ausentes. Apresentava rigidez articular importante de membro inferior esquerdo, livedo reticular até o joelho, cianose fixa de todo o pé. O ECG evidenciou fibrilação atrial. Exames laboratoriais: HB de 10,0 g/dL; creatinina: 1,0 mg/dL; CK: 14.000 U/L; e lactato: 20 mmol/L.

Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e a conduta adequados.
Alternativas

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Tema central: Isquemia aguda de membro inferior por embolia arterial com irreversibilidade do quadro.

A paciente apresenta um quadro clássico de isquemia aguda de membro inferior esquerdo, com sinais de gravidade e irreversibilidade: dor súbita, ausência de pulsos distais, fraqueza, frialdade, cianose fixa, livedo, rigidez articular e importantes alterações laboratoriais (CK muito elevado, lactato marcadamente alto), sugerindo necrose tecidual.

Diagnóstico: Os fatores de risco e achados clínicos orientam para embolia arterial como causa (presença de fibrilação atrial), confirmando o padrão súbito e assimétrico. Segundo o MSD Manual: “A isquemia aguda de membro é uma emergência vascular […] causada por embolia, trombose ou trauma.” A relação com fibrilação atrial aponta fortemente para embolia.

Gravidade: Sinais como cianose fixa, rigidez articular e déficit neurológico são indicativos de classe III de Rutherfordisquemia irreversível, onde procedimentos de revascularização aumentam risco de síndrome de reperfusão (hipercalemia, acidose grave, choque) e não recuperam o membro.

Justificativa da alternativa correta (E): “Embolia arterial e amputação primária”.
Nestes casos deve-se indicar amputação primária para prevenir sepse, mioglobinúria e instabilidade hemodinâmica. A conduta está alinhada com o MSD Manual e guidelines vasculares (SBACV, AHA).

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Embolectomia só é indicada para membros viáveis ou potencialmente viáveis (<6h iniciados); neste caso há sinais de necrose irreversível.
  • B e D Trombose arterial é improvável nesse contexto clínico; além disso, tratamento trombolítico ou trombectomia não são indicados na irreversibilidade.
  • C) Trombose arterial e amputação: erro etiológico, já que a causa é embolia pela FA.

Estratégia para provas: Atenção aos sinais de irreversibilidade: tempo superior a 6 horas, rigidez articular, ausência de sensibilidade e palidez/cianose fixa. Identifique a etiologia correta (“súbito + FA = embolia”).

Referência: Segundo o MSD Manual: “Quando o membro está inviável (necrose muscular, rigidez articular, insensibilidade), a amputação primária é indicada.”

Conclusão: O reconhecimento da irreversibilidade salva vidas ao indicar amputação precoce e evitar complicações fatais.

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