Os aneurismas de aorta abdominal são extremamente important...

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Q3126706 Medicina
Os aneurismas de aorta abdominal são extremamente importantes para o cirurgião vascular, sendo muito frequentes em sua prática clínica. Geralmente, são assintomáticos, com diagnóstico muitas vezes incidental, e têm uma etiopatogenia complexa e multifatorial. Considerando essas informações, assinale a alternativa que não indica um fator de risco para a ruptura dos aneurismas.
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Tema central: Avaliar fatores de risco para ruptura do aneurisma de aorta abdominal (AAA), condição geralmente assintomática, cujo risco de ruptura depende de características do paciente e do aneurisma.

Fisiopatologia em síntese: A ruptura resulta do desequilíbrio entre tensão parietal (Lei de Laplace: aumenta com o diâmetro) e a resistência da parede (colágeno/elastina degradados por inflamação e MMPs). Fatores que elevam a tensão ou fragilizam a parede aumentam o risco.

Alternativa correta – C) diabetes: O diabetes mellitus não é fator de risco para ruptura; ao contrário, associa-se a menor prevalência de AAA e menor taxa de crescimento, com possível menor risco de ruptura. Mecanismos propostos: maior cross-linking do colágeno por glicação avançada e menor atividade de MMPs, conferindo relativa “rigidez protetora” da parede. Evidência em coortes e citado em diretrizes (ESVS 2019/2024; SVS 2018/2020; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine).

Por que as outras estão incorretas (são fatores de risco):

A) Sexo feminino: Mulheres têm maior risco de ruptura em diâmetros menores e crescimento mais rápido. Por isso, muitas diretrizes consideram limiar de reparo um pouco menor em mulheres (ex.: 5,0–5,4 cm) quando comparado a homens (≈5,5 cm) (ESVS/SVS).

B) Diâmetro: É o determinante mais forte do risco. O risco cresce exponencialmente com o aumento do diâmetro; AAAs ≥5,5 cm em homens geralmente indicam reparo eletivo (SVS/ESVS). Expansão rápida (>0,5 cm/6 meses ou >1 cm/ano) também eleva o risco.

D) Conformação sacular: AAAs saculares têm maior instabilidade e propensão à ruptura, independentemente do tamanho, sendo frequentemente indicados para correção precoce (ESVS/UpToDate).

E) Tabagismo: O cigarro aumenta incidência, crescimento e ruptura do AAA de forma dose-dependente, por intensificar inflamação e degradação da matriz (MMPs) e elevar a tensão parietal. É o principal fator de risco modificável (ESVS/SVS/Harrison’s).

Estratégia de prova: Atenção à palavra “não”. Memorize os grandes vilões: diâmetro, sexo feminino, conformação sacular, tabagismo, expansão rápida e sintomas. Lembre-se do “paradoxo do diabetes” como possível fator protetor.

Referências úteis: Diretrizes ESVS 2019/2024 sobre doenças da aorta; Diretrizes SVS 2018/2020 para AAA; UpToDate – Abdominal aortic aneurysm: pathogenesis; Harrison’s Principles of Internal Medicine (ed. atual) – Doenças da aorta.

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