Na observância dos conhecimentos sobre os primeiros socorro...
Gabarito comentado
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Tema central: Choque anafilático é a forma grave da anafilaxia, uma reação de hipersensibilidade sistêmica mediada, em geral, por IgE, com liberação maciça de mediadores (histamina, leucotrienos) por mastócitos/basófilos, causando vasodilatação intensa, aumento da permeabilidade capilar e broncoespasmo. Resulta em hipotensão e/ou comprometimento respiratório. (Diretrizes: WAO 2020; UpToDate; AHA/ILCOR – Primeiros Socorros)
Gabarito: D – “Reação de hipersensibilidade sistêmica quando exposto a substância à qual é extremamente alérgico”. Isso descreve corretamente a anafilaxia. Clinicamente, costuma iniciar em minutos após o contato (alimentos, fármacos, látex, venenos de insetos), com urticária/angioedema, sibilância/estridor, vômitos/diarreia e/ou hipotensão. O choque se instala pela vasoplegia e extravasamento de plasma (choque distributivo). Referência: WAO/AAAAI; UpToDate.
Por que as outras estão incorretas?
A – “Devido a infecção sistêmica” descreve choque séptico, não anafilático. No séptico, a causa é infecção com disfunção orgânica e vasodilatação mediada por resposta inflamatória infecciosa (SCCM/Sepsis-3).
B – “Incapacidade do coração bombear…” define choque cardiogênico (IAM extenso, arritmias, miocardiopatias). No anafilático, a fração de ejeção pode estar preservada; o problema principal é vasodilatação e permeabilidade.
C – “Redução do tônus vasomotor por distúrbio nervoso” é choque neurogênico (lesão medular alta, anestesia espinhal) com bradicardia e vasoplegia por perda simpática. Na anafilaxia, o gatilho é imunológico, não neurológico.
Diagnóstico rápido (primeiros socorros): pensar em anafilaxia diante de início súbito de sintomas após alérgeno com: 1) pele/mucosas + respiratório e/ou hipotensão; ou 2) hipotensão após exposição conhecida; ou 3) ≥2 sistemas acometidos (pele, respiratório, gastrointestinal, cardiovascular). (NIAID/FAAN; WAO)
Conduta imediata (prova e prática): 1) Adrenalina IM na face ântero-lateral da coxa, 0,3–0,5 mg (1:1000) adulto; repetir a cada 5–15 min se necessário. 2) Decúbito supino com pernas elevadas; O2 alto fluxo; acesso venoso e cristaloides se hipotenso. 3) Remover gatilho. 4) Adjuvantes: anti-histamínicos e corticoide não substituem a adrenalina; beta2 inalatórios para broncoespasmo. (AHA/ILCOR; WAO; UpToDate)
Estratégia de prova: busque termos como “hipersensibilidade sistêmica”, “alérgeno”, “início rápido”. Evite confundir com séptico (“infecção”), cardiogênico (“bomba cardíaca”), ou neurogênico (“perda do tônus por lesão nervosa”). Lembre: o primeiro fármaco é sempre a adrenalina IM.
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