Qual das seguintes alternativas sobre o manejo da epilepsia ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3036082 Medicina
Qual das seguintes alternativas sobre o manejo da epilepsia é correta?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: manejo da epilepsia, com ênfase em condutas de primeira linha, situações especiais (gestação) e terapias avançadas. Palavras-chave que ajudam no acerto: “primeira linha”, “refratária”, “idiopática”, “não convulsivo”. Termos absolutos como “suspensão imediata” e “preferencial” costumam sinalizar erro.

Alternativa correta: DStatus epilepticus não convulsivo (NCSE) é emergência neurológica definida por atividade epiléptica sustentada no EEG associada à alteração do nível/conduta mental. O tratamento inicial de escolha é benzodiazepínico intravenoso (ex.: lorazepam 0,1 mg/kg IV), conforme diretrizes AAN/AES e Neurocritical Care Society. Após benzodiazepínico, se persistir, indicar antiepiléptico de segunda linha (levetiracetam, valproato, fosfenitoína) e, se refratário, sedação contínua. Em NCSE por ausência, benzodiazepínicos e/ou valproato também são recomendados. Referências: AAN/AES (2016), Neurocritical Care Society (2012/2020), UpToDate, Harrison.

Como raciocinar: em qualquer status (convulsivo ou não), a primeira medida farmacológica é um benzodiazepínico IV. O diagnóstico de NCSE exige EEG, mas a conduta inicial segue o mesmo algoritmo do SE convulsivo.

Por que as demais estão erradas?

A. Chamar de “primeira linha” a monoterapia na epilepsia refratária é incorreto. Refratariedade é falha de duas drogas adequadas (ILAE). A partir daí, indica-se encaminhamento a centro de epilepsia, considerar politerapia racional, cirurgia, neuromodulação ou dieta cetogênica. Monoterapia é preferível em epilepsia recém-diagnosticada, não na refratária.

B. Na gestação, não se suspende antiepilépticos de forma imediata: isso aumenta risco de crises, trauma, hipóxia fetal e morte materna. Conduta: manter a menor dose eficaz, preferir monoterapia quando possível, ácido fólico pré-concepcional, monitorar níveis (lamotrigina/levetiracetam), e evitar valproato quando possível pelas malformações/neurodesenvolvimento. Diretrizes: AAN/AES, ILAE, UpToDate.

C. Cirurgia de ressecção é indicada principalmente em epilepsia focal com lesão/ressecável (ex.: esclerose mesial temporal) após falha de 2 drogas. Em epilepsia idiopática (geralmente generalizada), a cirurgia não é opção preferencial. Referências: ILAE, AAN.

E. DBS (estimulação do núcleo anterior do tálamo) não é tratamento de primeira linha. É opção de neuromodulação para casos farmacorresistentes após avaliação cirúrgica, quando ressecção não é possível/efetiva. Outras alternativas: VNS, RNS, dieta cetogênica. Diretrizes: ILAE/AAN.

Dicas de prova: desconfie de termos absolutos (“suspender todos”, “preferencial”, “primeira linha para todos”), e associe “status” a benzodiazepínico IV como início do algoritmo terapêutico.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

A ALTERNATIVA CORRETA É: D) Geralmente ocorrem como episódio único e não tendem a apresentar recorrências.

ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS:

  • A) Podem ser prevenidas com fenitoína profilática.
  • Incorreta. A fenitoína não é a medicação de escolha para prevenção das convulsões na abstinência alcoólica. O tratamento preventivo é realizado com benzodiazepínicos, como o diazepam ou lorazepam.
  • B) Podem ser tônico-clônicas ou focais.
  • Incorreta. As convulsões associadas à abstinência alcoólica são mais comumente generalizadas e tônico-clônicas. Crises focais não são típicas desse quadro.
  • C) Geralmente ocorrem tardiamente, com mais de 48 horas de abstinência.
  • Incorreta. As convulsões geralmente ocorrem nas primeiras 6 a 48 horas após a interrupção do álcool, não após 48 horas.
  • E) Não têm capacidade de desencadear status epilepticus.
  • Incorreta. As convulsões podem sim evoluir para status epilepticus, uma condição potencialmente fatal se não tratada adequadamente.

EM RESUMO: As convulsões da abstinência alcoólica geralmente ocorrem como um único episódio e não têm tendência para recorrência, desde que tratadas adequadamente.

PONTOS CHAVE:

  • As convulsões da abstinência alcoólica geralmente são autolimitadas e ocorrem uma vez.
  • O tratamento preventivo é com benzodiazepínicos, e não com fenitoína.
  • As crises podem evoluir para status epilepticus se não controladas rapidamente.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo