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Ano: 2026
Banca:
VUNESP
Órgão:
Prefeitura de Jardinópolis - SP
Prova:
VUNESP - 2026 - Prefeitura de Jardinópolis - SP - Professor PEB I |
Q4289935
Português
Texto associado
Leia o texto para responder à questão:
As crianças deixadas para trás
O instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), com o apoio das fundações Bracell,
Itaú, VélezReyes+, Van Leer e do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), lançou recentemente um indicador
que mede a cobertura da educação infantil no Brasil. Vistos
de cima, os dados sobre as matrículas das crianças de 0 a 5
anos de idade transmitem a sensação de que tudo vai bem,
mas não vai: a análise dos dados revela uma persistente
negligência das autoridades públicas no cuidado da primeira
infância.
Uma emenda à Constituição, de 2009, tornou obrigatória
a matrícula das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. E o prazo para o País alcançar a universalização, que é um índice
de matrícula acima de 95%, era até 2016. Segundo o Iede,
94,6% das crianças frequentavam a pré-escola em 2025, o
que até permitiria inferir que falta pouco para o Brasil bater
a meta.
Mas, passados dez anos, o que se vê são desigualdades
intoleráveis entre municípios, Estados e regiões. Segundo o
Iede, 876 municípios brasileiros – ou 16% do total – ainda
não alcançaram nem a marca de 90% das crianças matriculadas na pré-escola. Não é exagero afirmar que mais de
300 mil crianças vivem à margem do direito constitucional à
educação infantil.
O local de nascimento de uma criança pode definir quem
tem ou não o direito universal à educação. Enquanto no Piauí
100% das crianças frequentam a pré-escola, no Amapá esse
índice não chega a 70%. Aliás, o Norte lidera os indicadores
negativos: 29% dos municípios da região têm menos de 90%
das crianças na pré-escola.
A atual realidade não autoriza otimismo. Tudo isso é
muito triste, porque a Constituição fez muitas promessas
aos cidadãos: uma delas é a de que o Brasil combateria as
desigualdades regionais e outra é a de que as crianças deveriam ser tratadas, pelo Estado, pela família e pela sociedade,
com “absoluta prioridade”. Mas, decerto porque as crianças
não votam, as autoridades públicas brasileiras decidiram não
honrar o compromisso firmado com todas elas, deixando-as,
assim, para trás.
(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 03.05.2026. Adaptado)
A conclusão do editorial marca-se