Aos 90 anos, completados em 07/12/2018, o intelectual
americano continua a lutar por mudanças e pode olhar em
retrospecto para três áreas que ajudou significativamente
a moldar desde meados do século 20 até os dias de hoje –
como linguista, filósofo e ativista político de esquerda.
Avram Noam Chomsky nasceu em 1928 na Filadélfia,
numa família de imigrantes judeus. Seu pai era da Ucrânia e fugiu para os Estados Unidos. A mãe vinha de Belarus. Comprometida com o sionismo de esquerda, a família vivia numa espécie de gueto judeu. Aos dez anos de
idade, Chomsky escreveu um primeiro artigo sobre a
ameaça do fascismo e, na adolescência, começou a se
identificar com a política anarquista.
Ele estudou Linguística, Matemática e Filosofia, fazendo
mestrado em 1951 na área de linguística. As principais teses de seu doutorado Análise Transformacional resultaram mais tarde num livro que revolucionaria a linguística: sua monografia inovadora Estruturas Sintáticas, publicada em 1957.
Com esse livro, Chomsky definiu seu próprio tema de
vida científico: as origens e os limites das habilidades
cognitivas humanas. Sua pergunta inicial parece simples:
como uma criança pode aprender a falar em tão pouco
tempo, formar frases gramaticalmente corretas em sua
língua materna depois de alguns anos, talvez até mesmo
em outra língua? Em sua pesquisa, ele chegou à conclusão de que o aprendizado da linguagem é uma competência inata.
Não é a imitação do que a criança escuta em seu entorno
que a transforma num ser falante. De acordo com sua tese
central, há uma estrutura geneticamente impressa no cérebro humano que lhe permite perceber as coisas do mundo, pensar sobre elas – e formar um número infinito de
sentenças com um número finito de regras.
Guiada pelo pensamento matemático, a sua doutrina de
que as estruturas básicas de todas as línguas são iguais e
que a linguagem humana segue regras complexas e lógicas – uma "gramática universal" – não influenciou somente a linguística.
Ela também implicou uma tomada de posição dentro de
uma disputa filosófica que remontava ao início do Iluminismo. No início do século 17, René Descartes argumentou que a capacidade de pensar em conceitos seria inata.
Chomsky catapultou esse "racionalismo cartesiano" para
o século 20.
A sua teoria não permaneceu sem discordância – cientistas da comunicação do século 21, por exemplo, não aceitam mais a sua distinção fundamental entre humanos e
animais, já que atualmente habilidades cognitivas também são atribuídas aos animais.
O segundo parágrafo é encerrado com o enunciado “Aos dez anos de idade, Chomsky escreveu um primeiro artigo sobre a ameaça do fascismo e, na adolescência, começou a se identificar com a política anarquista”, levando o leitor à conclusão de que neste período:
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