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Q4327789 Português
TEXTO I

Venezuelanos cobram ação por crimes contra a humanidade

Representantes de vários setores da sociedade local enviaram documento à Corte Penal Internacional em que exigem aplicação do Estatuto de Roma


Eugênio Goussinsky


  Mais de 150 venezuelanos, entre civis, militares da reserva e profissionais de diferentes áreas, enviaram uma carta à juíza Tomoko Akane, presidente da Corte Penal Internacional (CPI), situada em Haia, Países Baixos, em que pede medidas urgentes diante do que classificam como violações sistemáticas de direitos humanos na Venezuela.

    No documento, os signatários cobram a aplicação imediata do Estatuto de Roma e afirmam que o país vive um quadro persistente de detenções arbitrárias e perseguição política, principalmente durante o regime do ditador Nicolás Maduro (2013-2026). Eles pedem que tal situação não prossiga no atual governo, depois da captura de Maduro pelos Estados Unidos, no dia 3 de janeiro último.

   Segundo a denúncia, o sistema judicial venezuelano não atua com independência nem imparcialidade, o que impediria investigações efetivas e justificaria a atuação da Corte com base no princípio da complementaridade.

  A comunicação também acusa órgãos de segurança do Estado da Venezuela, como o Sebin e a Direção-Geral de Contrainteligência militar, de envolvimento em tortura, desaparecimentos forçados e outros tratamentos considerados cruéis. Os autores pedem que a Corte avance na investigação formal aberta em 2021 (“Situação na Venezuela I”), apure responsabilidades individuais de autoridades, independentemente do cargo, e assegure reparação às vítimas

    Falhas do sistema venezuelano

   O texto reúne representantes de diferentes setores da sociedade venezuelana. São 35 lideranças civis e políticas, entre acadêmicos, juristas, ex-ministros, ex-parlamentares, diplomatas, empresários, dirigentes políticos e exgovernadores. Também assinam 36 militares da reserva, incluindo ex-ministros da Defesa, generais, vice-almirantes, coronéis e outros oficiais das Forças Armadas.

  O grupo conta ainda com 13 representantes do meio cultural e da comunicação, como jornalistas, escritores, atores, artistas e editores, além de mais de 30 integrantes da sociedade civil e profissionais de diferentes áreas, entre economistas, historiadores, professores universitários, juristas, médicos, engenheiros e defensores de direitos humanos.

  Os signatários declaram que as falhas estruturais do sistema institucional venezuelano impedem a existência de uma Justiça independente e eficaz. Por esta razão, defendem a intervenção da Corte como instância internacional de último recurso.


Fonte: GOUSSINSKY, Eugênio. Venezuelanos cobram ação por crimes contra a humanidade. https://revistaoeste.com/revista/mundo/venezuelanos-cobram-acao-por-crimes-contra-ahumanidade/ (adaptado).
Leia as afirmações abaixo sobre o uso gramatical de certas passagens do texto I, antes de avaliar o que se pede.

( ) Em “Mais de 150 venezuelanos, entre civis, militares da reserva e profissionais de diferentes áreas, enviaram uma carta à juíza Tomoko Akane...”, o acento grave é contextualmente obrigatório por causa da regência do verbo “enviar” o qual exige complementos verbais de diferentes naturezas.
( ) Em “Mais de 150 venezuelanos, entre civis, militares da reserva e profissionais de diferentes áreas, enviaram uma carta à juíza Tomoko Akane, presidente da Corte Penal Internacional (CPI), situada em Haia, Países Baixos, em que pede medidas urgentes...”, nota-se um equívoco gramatical no que tange ao verbo em destaque, o qual deveria ter sido conjugado como “pedem” a fim de fazer a concordância verbal adequada em relação ao seu respectivo Sujeito “Mais de 150 venezuelanos”.
( ) Em “A comunicação também acusa órgãos de segurança do Estado da Venezuela, como o Sebin e a Direção-Geral de Contrainteligência militar, de envolvimento em tortura, desaparecimentos forçados e outros tratamentos considerados cruéis.”, o verbo em destaque se classifica como bitransitivo por exigir contextualmente a colocação de dois tipos distintos de complementos verbais.
( ) Em “Os autores pedem que a Corte avance na investigação formal aberta em 2021 (“Situação na Venezuela I”), apure responsabilidades individuais de autoridades...” e na passagem “O texto reúne representantes de diferentes setores da sociedade venezuelana.”, encontram-se em destaque verbos conjugados na terceira pessoa do singular do Presente do Subjuntivo, haja vista a presença da vogal temática “-e” após cada radical.
( ) Em “Os signatários declaram que as falhas estruturais do sistema institucional venezuelano impedem a existência de uma Justiça independente e eficaz.”, o elemento coesivo em destaque é uma conjunção integrante a qual inicia uma oração subordinada substantiva subjetiva.

Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se afirmar que, pela ordem, a sequência correta é a que se faz presente em:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Cada afirmação deve estar integralmente correta. Em “O texto reúne representantes de diferentes setores da sociedade venezuelana.”, “reúne” está no presente do indicativo, o que torna falsa a quarta afirmação. A quinta também é falsa: a oração após “declaram” funciona como objeto direto, não como sujeito. Com as três primeiras verdadeiras por crase, concordância e transitividade, obtém-se V – V – V – F – F.

Tema central: Julgamento de construções gramaticais
Análise das alternativas
A
Errada
Erra a segunda e a quinta posições. Na leitura oficial, o sujeito de “pede” retoma os venezuelanos, no plural, tornando verdadeira a necessidade de “pedem”. Já a oração que completa “declaram” exerce função de objeto direto, e não de sujeito, tornando falsa a quinta afirmação.
B
Certa
A alternativa B reúne os cinco julgamentos adequados. A primeira afirmação é verdadeira porque, na construção enviar alguma coisa a alguém, a preposição “a” se une ao artigo feminino de “a juíza”, formando “à juíza”. A segunda é verdadeira na leitura contextual adotada pelo gabarito: o sujeito não expresso de “pede” retoma “Mais de 150 venezuelanos”, exigindo “pedem”; o relativo de “em que” remete à carta e não é sujeito desse verbo. A terceira é verdadeira porque “acusa” apresenta a construção acusar alguém de algo: os acusados constituem o objeto direto, e o complemento iniciado por “de” é objeto indireto na análise adotada. A quarta é falsa porque apenas “avance” e “apure” estão no presente do subjuntivo; “reúne” está no presente do indicativo. Além disso, o “e” de “avance” e “apure” é desinência modo-temporal, não vogal temática. A quinta é falsa porque, embora “que” seja conjunção integrante, a oração introduzida por ele expressa o conteúdo declarado e completa diretamente “declaram”: é subordinada substantiva objetiva direta. O sujeito desse verbo já é “Os signatários”.
C
Errada
Inverte os cinco julgamentos. As três primeiras são verdadeiras: há preposição e artigo em “à juíza”; a retomada do sujeito plural exige “pedem” na leitura oficial; e “acusa” apresenta complemento direto e indireto. As duas últimas são falsas: “reúne” é presente do indicativo, e a oração após “declaram” é objetiva direta.
D
Errada
Erra a segunda, a terceira e a quinta posições. A concordância com os remetentes plurais exige “pedem” na leitura adotada. A construção acusar alguém de algo sustenta a classificação de “acusa” como bitransitivo nesse emprego. A oração introduzida por “que” completa diretamente “declaram”, não exercendo função de sujeito.
E
Errada
Erra somente a quarta posição. “Avance” e “apure” estão no presente do subjuntivo, mas “reúne” está no presente do indicativo. A afirmação também erra ao classificar o “e” de “avance” e “apure” como vogal temática: trata-se de desinência modo-temporal.
Pegadinha da questão
A quarta e a quinta afirmações misturam análises corretas e incorretas. “Avance” e “apure” são formas do subjuntivo, mas “reúne” não é; “que” é conjunção integrante, mas a oração que introduz não é subjetiva. O acerto de uma parte não torna verdadeira a afirmação inteira.
Dica para questões semelhantes
  • Para justificar a crase, identifique os dois elementos: a preposição exigida pela construção e o artigo feminino que acompanha o substantivo.
  • Antes de avaliar a concordância, identifique o sujeito do verbo, mesmo quando ele estiver distante ou não estiver expresso.
  • Classifique cada forma verbal separadamente; a terminação gráfica em “e” não basta para reconhecer o subjuntivo.
  • Distinga a classificação do conectivo da função da oração: após “declaram”, o conteúdo declarado funciona como objeto direto.

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Núcleo da Questão:

O examinador cobrou uma análise morfossintática e semântica integrada: crase por regência de verbo bitransitivo, concordância verbal com sujeito no plural, classificação de transitividade verbal (VTDI), distinção entre tempos/modos verbais (indicativo vs. subjuntivo) e funções das orações subordinadas substantivas.

Gabarito Oficial:

B — V – V – V – F – F.

A ordem correta das afirmações é V – V – V – F – F:

* (V) O verbo enviar é transitivo direto e indireto (enviar algo a alguém); a fusão da preposição exigida "a" com o artigo definido "a" diante de "juíza" torna o acento grave obrigatório.

* (V) A banca considerou inadequada a concordância no singular (pede), indicando que o verbo deveria concordar no plural (pedem) com os agentes da solicitação (Mais de 150 venezuelanos).

* (V) O verbo acusar é bitransitivo (acusar alguém de algo), exigindo objeto direto (órgãos de segurança...) e indireto regido pela preposição "de" (de envolvimento...).

* (F) O verbo reúne está conjugado na 3ª pessoa do singular do Presente do Indicativo (ele reúne). No Presente do Subjuntivo, a forma correspondente seria reúna.

* (F) Quem declara, declara algo: a oração introduzida pela conjunção integrante completa o sentido do verbo transitivo direto declaram, exercendo função de Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta, e não subjetiva.

Análise das Alternativas:

* A (V – F – V – F – V): Incorreta. Erra ao classificar a 2ª assertiva como falsa e comete erro crasso na 5ª ao tratar uma oração objetiva direta como subjetiva.

* C (F – F – F – V – V): Incorreta. Inverte o julgamento geral dos itens: as três primeiras afirmações são verdadeiras, enquanto as duas últimas são comprovadamente falsas.

* D (V – F – F – F – V): Incorreta. Erra ao julgar o item 3 como falso (o verbo acusar é legítimo VTDI no contexto) e ao marcar o item 5 como verdadeiro.

* E (V – F – V – V – F): Incorreta. Julga erroneamente a 4ª assertiva como verdadeira, ignorando que o verbo reúne pertence ao modo indicativo, não ao subjuntivo.

Macete:

* Comece pelas assertivas conceituais mais objetivas (4 e 5):

* Na assertiva 4, analise o verbo reúne. Ele indica uma certeza no presente (o texto reúne = Presente do Indicativo; se fosse subjuntivo seria reúna). Portanto, a 4ª é Falsa. Já elimina C e E.

* Na assertiva 5, ache o sujeito de "declaram": "Os signatários" (sujeito) "declaram" (VTD) "isso" (objeto direto). Trata-se de oração Objetiva Direta, nunca Subjetiva. A 5ª é Falsa. Já elimina A e D.

* Conclusão direta: Sabendo apenas que as duas últimas assertivas terminam em F – F, resta exclusivamente a letra B, matando a questão rapidamente sem hesitar nas outras afirma

ções.

Fonte: Gemini

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