Os estudos voltados à coesão textual estão inseridos no cont...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2169995 Português
O problema e sua definição

       Todos os diversos campos da atividade humana estão ligados ao uso da linguagem. Compreende-se perfeitamente que o caráter e as formas desse uso sejam tão multiformes quanto os campos da atividade humana, o que, é claro, não contradiz a unidade nacional de uma língua. O emprego da língua efetua-se em forma de enunciados (orais e escritos) concretos e únicos, proferidos pelos integrantes desse ou daquele campo da atividade humana. Esses enunciados refletem as condições específicas e as finalidades de cada referido campo não só por seu conteúdo (temático) e pelo estilo da linguagem, ou seja, pela seleção dos recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua mas, acima de tudo, por sua construção composicional. Todos esses três elementos – o conteúdo temático, o estilo e a construção composicional – estão indissoluvelmente ligados no todo do enunciado e são igualmente determinados pela especificidade de um determinado campo da comunicação. Evidentemente, cada enunciado particular é individual, mas cada campo de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, os quais denominamos gêneros do discurso.
        A riqueza e a diversidade dos gêneros do discurso são infinitas porque são inesgotáveis as possibilidades da multiforme atividade humana e porque em cada campo dessa atividade é integral o repertório de gênero do discurso, que cresce e se diferencia à medida que se desenvolve e se complexifica um determinado campo. Cabe salientar em especial a extrema heterogeneidade dos gêneros do discurso (orais e escritos), nos quais devemos incluir as breves réplicas do diálogo do cotidiano (saliente-se que a diversidade das modalidades de diálogo do cotidiano é extraordinariamente grande em função do seu tema, da situação e da composição dos participantes), o relato do dia a dia, a carta (em todas as suas diversas formas), o comando militar lacônico padronizado, a ordem desdobrada e detalhada, o repertório bastante vário (padronizado na maioria dos casos) dos documentos oficiais e o diversificado universo das manifestações publicísticas (no amplo sentido do termo: sociais, políticas): mas aí também devemos incluir as variadas formas das manifestações científicas e todos os gêneros literários (do provérbio ao romance de muitos volumes). [...]

BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: –––. Estética da criação verbal, 6 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011
Os estudos voltados à coesão textual estão inseridos no contexto da Linguística do texto. No caso da coesão sequencial, acontece a partir do encadeamento dos conectores coesivos, estabelecendo relações lógico-semânticas. No trecho “Evidentemente, cada enunciado particular é individual, mas cada campo de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, os quais denominamos gêneros do discurso.”, a conjunção em destaque estabelece, com a oração anterior, uma relação de:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito comentado – Coesão sequencial: conjunção “mas”

Tema central: A questão aborda o reconhecimento e a análise do papel semântico das conjunções coordenativas adversativas, com foco específico na função da conjunção “mas” dentro de um trecho de Bakhtin. Esse conteúdo relaciona-se com os estudos sobre coesão textual e conectores semânticos, fundamentais para compreensão do sentido global de textos na norma-padrão e em situações de ensino.

Justificativa para a alternativa correta – Adversão:

A conjunção “mas” atua como típico conectivo adversativo, estabelecendo uma oposição (ou contraste) entre ideias. No trecho analisado, ela contrapõe dois fatos: a individualidade de cada enunciado e, em oposição, a existência de tipos estáveis dentro de cada campo de uso da língua. Segundo Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa, p. 321), “mas, porém, todavia” são conjunções adversativas por excelência, pois acentuam a oposição ou contraste entre as orações.

Exemplo didático: “Estudei bastante, mas não fui bem na prova.” — O que vem depois de “mas” se contrapõe ao esperado pela oração anterior.

Análise das alternativas:

A) Adversão (correta): Indica contraste. A conjunção “mas” faz oposição entre a individualidade e a padronização dos enunciados.

B) Alternância: Incorreta. Alternância é expressa por conectivos como “ou... ou”. Não há ideia de escolha, e sim de contraste.

C) Conclusão: Incorreta. Conjunções como “portanto” expressam conclusão. O trecho não traz fechamento, e sim contraposição.

D) Explicação: Incorreta. Conjunções explicativas (“porque”, “pois”) esclarecem argumentos, o que não ocorre com a introdução pelo “mas”.

Estratégias para provas: Ao identificar conectivos como “mas”, “porém”, “todavia”, lembre-se de que eles sempre indicam contraste na norma-padrão. Fique atento, pois trocas por conectivos de explicação ou conclusão são recorrentes em pegadinhas.

Resumo: O termo “mas” estabelece claramente uma relação adversativa, marcando contraposição semântica entre ideias. Alternativas que falem em alternância, conclusão ou explicação não correspondem ao valor semântico dessa conjunção.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

As conjunções adversativas exprimem ideia de oposição, contraste e ressalva.

Ex: mas, porém, contudo, entretanto, todavia , no entanto, não obstante ...

Gab: A

CONJUNÇÕES COORDENADAS ADVERSATIVAS: mas, porém, entretanto, contudo, todavia, no entanto.

LETRA A

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo