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Q3367489 Medicina
Uma criança de 6 anos passa em consulta devido a dor abdominal. Ela traz um resultado de endoscopia pedido pelo seu pediatra, que mostra uma gastrite nodular antral. Na biópsia há descrição de infiltrado linfomononuclear e neutrofílico em glândulas e fovéolas, associado à hiperplasia linfoide em centros germinativos e presença de bacilos espiralados corados por Giemsa. Diante do quadro apresentado, qual a conduta mais correta?
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Tema central: dor abdominal em criança com endoscopia mostrando gastrite nodular antral e biópsia com bacilos espiralados pela Giemsa, infiltrado linfomononuclear/neutrofílico e hiperplasia linfoide — achados clássicos de infecção por Helicobacter pylori em pediatria.

Alternativa correta: C – Claritromicina + Amoxicilina + IBP

Justificativa: Diante de diagnóstico confirmado de H. pylori (histologia positiva com bacilos espiralados e gastrite nodular), a conduta é erradicação com terapia tripla por 14 dias: IBP + amoxicilina + claritromicina. Diretrizes ESPGHAN/NASPGHAN (2016 e atualização 2023) e UpToDate recomendam erradicar quando o H. pylori é identificado em endoscopia indicada, especialmente com gastrite nodular e folículos linfoides. Em provas, este é o esquema de 1ª linha clássico. Na prática, se resistência à claritromicina for alta ou houver uso prévio de macrolídeo, preferem-se esquemas guiados por teste de sensibilidade ou quadruplo com bismuto.

Doses pediátricas usuais (referência): IBP (ex.: omeprazol 1 mg/kg/dia, 2x/dia), amoxicilina 50 mg/kg/dia (2x/dia), claritromicina 15 mg/kg/dia (2x/dia), por 14 dias. Confirmar erradicação com teste do hálito 13C ou antígeno fecal após 4–8 semanas (suspender IBP por 2 semanas e antibióticos por 4 semanas).

Análise das alternativas incorretas

A – “Teste terapêutico” com IBP: apenas sintomático; não erradica H. pylori. Risco de mascarar sintomas e perpetuar infecção. Contraria diretrizes quando há confirmação histológica.

B – “Não deveria ter feito endoscopia; apenas dieta”: uma vez que a endoscopia foi feita e demonstrou H. pylori com lesão típica, a conduta é tratar, não observar. Em crianças, não se trata H. pylori em dor funcional sem endoscopia, mas este não é o caso.

D – IBP + sucralfato: alívio de mucosa, porém sem ação bactericida. Não promove erradicação nem reduz complicações associadas à infecção.

E – Repetir endoscopia: desnecessário para confirmação; diagnóstico já estabelecido. Controle de cura é não invasivo (hálito/antígeno fecal). Nova endoscopia só se falha terapêutica ou complicações.

Pegadinhas e estratégia de prova

- Palavras-chave que apontam para H. pylori em pediatria: gastrite nodular antral, folículos linfoides, bacilos espiralados (Giemsa)indicam tratar.

- Desconfie de opções apenas sintomáticas (IBP/sucralfato) quando há etiologia definida.

Referências essenciais: ESPGHAN/NASPGHAN Guidelines for H. pylori in Children (2016; update 2023); UpToDate: Helicobacter pylori infection in children; SBP – Manual de Gastroenterologia Pediátrica.

Gabarito: C

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