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Q4378060 Português
Por que Nordeste é a região do Brasil com mais risco de terremoto


    Há um certo alívio no Brasil com a ideia de que o país está protegido de terremotos, por estar localizado no centro de uma placa tectônica, quando estes fenômenos acontecem com mais frequência em áreas de encontros de placas.

    Mas há uma região brasileira mais propensa aos abalos sísmicos do que as demais: o Nordeste. Isso acontece devido a uma particularidade da crosta terrestre sob boa parte dos Estados nordestinos.

    Para explicar por que a espessura da crosta é mais fina na chamada Província Borborema, nome do bloco rochoso que forma parte significativa do Nordeste brasileiro, especialistas se valem de uma metáfora: é como um queijo derretido que, puxado, vai ficando mais fininho, mais ralo no meio.

    Sob o Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, a crosta terrestre tem de 30 a 35 quilômetros de espessura — em alguns pontos, até menos do que isso. É mais fina do que a média mundial, que passa dos 40 quilômetros, chegando a 70 quilômetros na região do Himalaia. Na região dos oceanos, são cerca de 10 quilômetros.

    Acredita-se que isso tenha origem no período Cretáceo, entre 136 milhões e 65 milhões de anos atrás. Como os blocos que formam os continentes estão em movimento sobre o manto (camada da Terra localizada entre a crosta e o núcleo), o que conhecemos hoje como a África e a América do Sul se separaram naquela época.

    Exatamente nessa região onde hoje está o Nordeste, a crosta teria se esticado um pouco mais do que o restante, em um processo de acomodação das placas.

    O resultado foi esse adelgaçamento atípico. "É o chamado efeito de estiramento", explica o engenheiro de estruturas Marcelo Bianco, professor na Universidade de São Paulo (USP) — ele chegou a estudar a crosta da região em pesquisas que realizou na Universidade de Weimar, na Alemanha, onde realizou seu mestrado e doutorado.

    "É uma região que sofreu o processo de estiramento com a abertura do [Oceano] Atlântico [na formação dos continentes]", diz o geofísico Aderson Farias do Nascimento, professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). "Em regiões assim, muitas vezes há o acúmulo, com facilidade, de forças que podem desencadear terremotos."

Fonte: BBC. Adaptado.
O texto utiliza a comparação entre a crosta terrestre e um queijo derretido sendo puxado. Essa comparação tem a finalidade de:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A comparação explica o afinamento por estiramento, não o amolecimento da crosta: "Para explicar por que a espessura da crosta é mais fina na chamada Província Borborema, nome do bloco rochoso que forma parte significativa do Nordeste brasileiro, especialistas se valem de uma metáfora: é como um queijo derretido que, puxado, vai ficando mais fininho, mais ralo no meio." A expressão "Para explicar" explicita a finalidade da metáfora e sustenta a alternativa C.

Tema central: Finalidade explicativa da comparação
Análise das alternativas
A
Errada
Embora o texto descreva uma deformação da crosta, o resultado destacado é ela ficar mais fina, não mais mole. A alternativa troca uma propriedade de espessura por uma de consistência, que a comparação não autoriza atribuir à crosta.
B
Errada
O derretimento é uma característica do queijo usado na comparação, não uma afirmação sobre a crosta durante terremotos. O processo explicado é o afinamento provocado pelo estiramento.
C
Certa
A alternativa C preserva as duas correspondências construídas pelo texto: puxar o queijo representa esticar a crosta; o queijo ficar mais fino representa a redução da espessura da crosta. Assim, a imagem concreta torna mais simples compreender o processo de adelgaçamento.
D
Errada
A comparação trata da espessura da crosta, não da composição predominante do solo nordestino. Concluir que esse solo é formado principalmente por rochas moles transfere indevidamente a consistência do queijo para as rochas, sem suporte textual.
Pegadinha da questão
Transferir para a crosta características do queijo que não integram a relação explicada: sua consistência mole e seu estado derretido. A correspondência relevante é apenas o afinamento causado pelo estiramento.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique a finalidade anunciada pelo texto: aqui, a expressão "Para explicar" vincula a comparação à compreensão da menor espessura da crosta.
  • Relacione as ações e os resultados comparados: puxar corresponde a esticar; ficar mais fino corresponde ao adelgaçamento.
  • Não transfira todas as propriedades da imagem comparativa para o elemento explicado: espessura, consistência e composição não são equivalentes.

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Comentários

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C) Explicar, de forma simples, como a crosta terrestre pode ficar mais fina quando é esticada.

A comparação com o queijo derretido sendo puxado funciona como uma analogia de caráter didático.

O objetivo é traduzir visualmente um conceito geológico complexo — o estiramento e consequente afinamento da crosta terrestre em determinadas regiões (como o contexto de falhas geológicas e estudos sobre abalos sísmicos) — para que o leitor compreenda facilmente como a crosta se deforma ao ser tracionada.

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