Lactente de 9 meses apresenta diarreia, há três dias, a mãe...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3367483 Medicina
Lactente de 9 meses apresenta diarreia, há três dias, a mãe relata que as fezes estão líquidas, sem sangue ou muco, e que a criança teve febre baixa e vômitos ocasionais. Hoje, o lactente está mais prostrado, recusando líquidos e com redução do volume urinário. No exame físico, a criança está irritada, com tempo de enchimento capilar de três segundos, olhos fundos e mucosas secas. Com base no exposto, qual é a conduta mais adequada? 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: diarreia aguda em lactente com sinais clínicos de desidratação moderada a grave e intolerância à via oral. O foco é escolher a via e o volume de reidratação adequados.

Raciocínio clínico: o caso traz sinais de hipovolemia: tempo de enchimento capilar ≈ 3s, olhos fundos, mucosas secas, oligúria, prostração e recusa de líquidos. Esses achados configuram pelo menos desidratação moderada e, pela intolerância à SRO e perfusão periférica limítrofe, indicam reidratação venosa. Diretrizes OMS/Ministério da Saúde e SBP recomendam expansão com solução isotônica (SF 0,9%) em crianças com perfusão comprometida e incapazes de ingerir SRO, com bolus inicial de 20–30 mL/kg e reavaliação frequente (Plano C da OMS; ver também PALS/UpToDate).

Alternativa correta – B: reidratar por via venosa com SF 0,9% 30 mL/kg em 1 hora e reavaliar. Conduta compatível com a etapa inicial do Plano C (OMS): iniciar expansão (30 mL/kg) e, conforme resposta, completar a reidratação. A escolha se justifica por: 1) recusa de líquidos/vômitos inviabilizando SRO; 2) perfusão limítrofe (TEC ≈ 3s); 3) prostração e oligúria. Após estabilização, mantém-se manutenção, zinco e alimentação precoce.

Por que as demais estão incorretas?

  • A – Antibiótico empírico não é indicado em diarreia aquosa sem sangue e febre baixa. A maioria é viral. Antibiótico reserva-se para disenteria, suspeita de cólera, imunossupressão ou casos específicos (OMS, SBP, UpToDate). Risco de resistência e eventos adversos.
  • C – SRO domiciliar é insuficiente diante de recusa de líquidos, prostração e TEC prolongado. Requer supervisão e via venosa para rápida restauração volêmica.
  • D – Probióticos e dieta leve podem ser adjuvantes, mas não tratam a hipovolemia. Em desidratação moderada/grave, reposição hídrica é prioridade (OMS/SBP).
  • E – SRO com reavaliação em 4h (Plano B) é apropriado se a criança consegue beber e sem sinais de perfus��o comprometida. Aqui há intolerância à via oral e TEC ≈ 3s, indicando IV.

Estratégia para a prova: em diarreia pediátrica, identifique sinais de gravidade que mudam a via: não bebe/recusa, TEC ≥3s, prostração, oligúriavia venosa. Se bebê alerta, bebe bem e sem perfusão comprometida → SRO com reavaliação em 4h.

Referências rápidas: OMS – Manejo da diarreia (Planos A/B/C); Ministério da Saúde – Atenção à diarreia aguda; SBP – Distúrbios hidroeletrolíticos; UpToDate – Acute gastroenteritis in children: rehydration therapy; PALS – fluid bolus em choque/desidratação grave.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo