Um lactente de 1 mês e meio é trazido por seus pais extremam...

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Q3367481 Medicina
Um lactente de 1 mês e meio é trazido por seus pais extremamente angustiados, eles relatam que, há cerca de 3 semanas, o bebê tem episódios diários de choro intenso, principalmente no final da tarde e à noite. Durante as crises, ele fica inconsolável, contorce-se, flexiona as pernas sobre o abdome e parece estar com dor. Nenhuma estratégia adotada pelos pais parece melhorar os episódios de forma consistente e os momentos de alívio acontecem sem uma causa clara. O bebê nasceu a termo, sem intercorrências no período neonatal. Está em aleitamento materno exclusivo, tem ganho ponderal adequado e não apresenta outros sintomas gastrointestinais, como vômitos persistentes ou diarreia. No exame físico, o bebê está bem hidratado, com bom tônus e sem alterações significativas. Com base nesse quadro clínico, qual das alternativas a seguir é a mais correta?
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: O caso aborda cólica do lactente, um diagnóstico de exclusão, clássico na Pediatria, caracterizado por episódios de irritabilidade e choro intenso em bebês saudáveis.

Justificativa para a alternativa correta (E):
A alternativa E descreve corretamente a cólica do lactente: episódios de irritabilidade intensa e choro inconsolável, sem causa identificável e início e término espontâneos. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), “o choro da cólica costuma ser previsível, acontecendo em determinados períodos do dia, geralmente no fim da tarde ou início da noite”, e não há necessidade de seguir critérios rígidos de tempo, como a antiga “regra dos 3”. Os consensos mais atuais, como Roma IV, aceitam uma definição menos limitada por horários e reconhecem a variabilidade individual (SBP, "Perguntas complementares sobre Cólica do Lactente").

No caso apresentado, o lactente está em aleitamento materno exclusivo, com ganho ponderal adequado e exame físico normal, o que reforça a benignidade do quadro e a ausência de sinais de alarme.

Análise crítica das alternativas incorretas:

A) Sugere APLV. Contudo, o bebê não possui sintomas gastrointestinais associados (ex: vômitos persistentes, diarreia) nem sinais sistêmicos, além de ganhar peso normalmente. Excluir a proteína do leite materno seria conduta excessiva e não respaldada.

B) Refere-se à antiga definição ("regra dos 3") — embora útil na prática, atualmente as definições são mais flexíveis, como ressalta a SBP: “não há necessidade de critérios rígidos...” (SBP, "Cólica do lactente"). Por isso, a alternativa E é mais moderna e correta.

C) Foca em doença do refluxo gastroesofágico sem sintomas compatíveis (regurgitação, hematêmese, perda ponderal). Além disso, prescrever IBP é desaconselhado rotineiramente em lactentes sem sinais claros, conforme diretrizes nacionais e internacionais.

D) Indica sinais de alarme que não estão presentes (bebê hígido, bem hidratado, sem outros sintomas ou perda de peso), sendo a investigação complementar desnecessária.

Estratégia para provas: Fique atento a quadros de choro sem sinais de alarme (alteração ponderal, desidratação, vômitos persistentes, sangue nas fezes). Em sua ausência e com exame físico normal, priorize o diagnóstico de cólica. O uso rígido da “regra dos 3” pode ser uma pegadinha.

Resumo: Cólica do lactente trata-se de diagnóstico de exclusão em bebês hígidos, com episódios autolimitados de choro inconsolável, sem necessidade de condutas interventivas nem critérios rígidos de tempo segundo os protocolos atuais.

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