Retorna ao consultório um bebê de 4 meses de vida devido à c...
Gabarito comentado
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Tema central: A questão aborda colestase neonatal, quadro clínico que decorre da diminuição ou obstrução do fluxo biliar, levando ao aumento de bilirrubina direta em recém-nascidos. Diferenciar entre causas intra-hepáticas (metabólicas, genéticas) e extra-hepáticas (obstrutivas) é crucial no diagnóstico e no manejo.
Justificativa da alternativa correta (C - Deficiência de síntese de sais biliares): O caso apresenta lactente com colestase, bilirrubina direta elevada, Gama GT e fosfatase alcalina normais, transaminases discretamente elevadas, ácidos biliares séricos normais e ultrassonografia normal. Este perfil laboratorial é típico dos defeitos da síntese de ácidos biliares, que impedem a produção ou secreção normal desses componentes essenciais para o fluxo biliar. Por isso, mesmo com colestase, o Gama GT e os ácidos biliares permanecem normais, diferentemente de outras etiologias. Como reforço, a Sociedade Brasileira de Pediatria destaca: “sinais de colestase neonatal com Gama GT normal devem levantar rapidamente a suspeita de causas metabólicas e genéticas”.
Análise das alternativas incorretas:
A) Atresia de vias biliares: Espera-se Gama GT e FA elevadas; ultrassonografia geralmente demonstra alterações de via biliar.
B) Síndrome de Alagille: Há Gama GT elevada e manifestações sistêmicas (cardíacas, faciais), não observadas neste caso.
D) Deficiência de BSEP (PFIC tipo 2): Apesar de Gama GT normal, ácidos biliares séricos costumam estar elevados (diferentemente do perfil do caso).
E) Deficiência de MDR3 (PFIC tipo 3): Associa-se a Gama GT elevada, o que exclui a hipótese pelo perfil laboratorial apresentado.
Dica de leitura e interpretação: Fique atento a marcadores bioquímicos como Gama GT, FA e ácidos biliares, que são fundamentais para diferenciar causas de colestase. O dado da ultrassonografia normal elimina causas obstrutivas, e a manutenção de Gama GT e ácidos biliares normais evidencia defeitos na síntese ou secreção hepática. Sempre avalie se o perfil laboratorial condiz com a fisiopatologia da doença sugerida.
Referências clínicas: As diretrizes mais atuais, como as da SBP, recomendam a investigação de erros inatos do metabolismo em quadros assim. O “Nelson Tratado de Pediatria” e publicações do UpToDate reforçam esses pontos.
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