Jovem, 17 anos, relata que no último mês, ao despertar e ao...
(__) O jovem está correto no diagnóstico e o tratamento pode ser em monoterapia com lamotrigina. (__) Convulsões do tipo mioclônica são classificadas como crises parciais. (__) Há possibilidade desse paciente necessitar de anticonvulsivante por toda a vida adulta. (__) Outras causas de crise convulsivas para a mesma faixa etária do paciente são traumatismo e uso de drogas ilícitas.
Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:
Gabarito comentado
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Tema central: Epilepsia Mioclônica Juvenil (EMJ) — apresentação clínica, diagnóstico diferencial, classificação das crises e tratamento.
Análise da questão:
1) "O jovem está correto no diagnóstico e o tratamento pode ser em monoterapia com lamotrigina."
FALSO. O diagnóstico clínico do jovem realmente sugere Epilepsia Mioclônica Juvenil (crises mioclônicas matinais e ausências), porém, de acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Epilepsia do Ministério da Saúde (p. 165), o ácido valproico é a droga de escolha em monoterapia. Lamotrigina pode ser utilizada, mas não é considerada primeira linha, pois pode até piorar crises mioclônicas.
2) "Convulsões do tipo mioclônica são classificadas como crises parciais."
FALSO. Segundo a classificação da ILAE e o PCDT citado (p. 160), as crises mioclônicas são crises generalizadas motoras, pois envolvem ambos os hemisférios cerebrais desde o início. Crises parciais (ou focais) envolvem apenas parte do cérebro.
3) "Há possibilidade desse paciente necessitar de anticonvulsivante por toda a vida adulta."
VERDADEIRO. É importante ressaltar que a EMJ tem curso crônico e cerca de 90% dos pacientes recaem quando suspendem a medicação, conforme o próprio PCDT (p. 166) e as recomendações do UpToDate. Ou seja, o tratamento costuma ser prolongado ou vitalício.
4) "Outras causas de crises convulsivas para a mesma faixa etária do paciente são traumatismo e uso de drogas ilícitas."
VERDADEIRO. Em adolescentes, traumatismo cranioencefálico e uso de drogas ilícitas (ex: cocaína, ecstasy) são causas secundárias frequentes de crises epilépticas, segundo protocolos do Ministério da Saúde e o livro Harrison.
Seqüência correta: F-F-V-V
Alternativa C
Dica de prova: Atente-se sempre à classificação das crises e aos medicamentos de escolha segundo protocolos atualizados. Palavras como "pode" ou "de escolha" costumam ser pontos de pegadinha.
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A epilepsia mioclônica juvenil (EMJ) ou "pequeno mal impulsivo" é considerada a mais frequente das epilepsias generalizadas idiopáticas. Clinicamente apresenta três tipos distintos de crises epiléticas: crises mioclônicas, crises tônico-clônicas generalizadas e ausências. Corresponde a uma síndrome epilética idade-relacionada, com pico entre 12 e 14 anos, comprometendo ambos os sexos de forma semelhante. É uma síndrome geneticamente heterogênea e relacionada a mutações em diversos genes, como o GABRA1 (cromossomo 5q34-q35), o CACNB4 (cromossomo 2q22-q23), o CLCN2 (cromossomo 3q26) e o EFHC1 (cromossomo 6p12-p11). Os achados eletroencefalográficos também são heterogêneos, sendo observadas descargas de espícula, polispícula, espícula-onda ou polispícula-onda em projeção generalizada. Há diversos relatos de descargas focais no EEG destes pacientes. A fisiopatogenia da EMJ permanece não totalmente esclarecida, embora mutações nos canais de cloro, disfunções talâmicas e alterações nos receptores de serotonina estejam provavelmente implicadas. Evitar fatores desencadeantes, como privação de sono, uso abusivo de álcool e/ou café, estresse físico/emocional são parte fundamental do tratamento. O valproato de sódio é a droga de primeira linha no tratamento da EMJ, embora outras drogas antiepiléticas, como o clonazepam e a lamotrigina, já se tenham mostrado eficazes. Topiramato e zonisamide são consideradas promissoras no tratamento da EMJ, enquanto carbamazepina, oxcarbazepina, fenitoína, vigabatrina e gabapentina são contraindicadas.
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