A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é considerada, a par...

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Q3080131 Medicina
A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é considerada, a partir do Consenso de ROMA III, um distúrbio gastrointestinal funcional, caracterizado por dor, mudança no hábito intestinal, distensão abdominal e constipação e/ou diarreia. Esse distúrbio é classificado de acordo com o padrão de perturbações do trânsito intestinal e seu tratamento depende da apresentação clínica. Evidências apontam para uma regulação anormal de determinado neurotransmissor, observando-se um defeito na sua sinalização. Qual neurotransmissor está envolvido na SII? 
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Tema central: distúrbio funcional gastrointestinal (SII) e a neurotransmissão envolvida na sua fisiopatologia.

Alternativa correta: C – Serotonina (5-HT)

Por quê? A SII envolve disfunção do eixo cérebro–intestino, com alteração de motilidade, secreção e sensibilidade visceral. Cerca de 90–95% da serotonina corporal está no TGI (células enterocromafins). Há evidências de defeito na sinalização serotoninérgica: alterações na liberação de 5-HT, expressão do transportador SERT e resposta dos receptores (5-HT3, 5-HT4). Em geral, observa-se aumento de 5-HT pós-prandial no IBS-D (diarreia) e redução no IBS-C (constipação). Isso explica sintomas e a resposta a fármacos que modulam 5-HT. Fontes: UpToDate; ACG Guideline 2021; Harrison’s.

Conexão clínica e terapêutica

  • Antagonistas 5-HT3 (ex.: alosetrona, ramosetrona): reduzem hipersensibilidade e trânsito, úteis no IBS-D.
  • Agonistas 5-HT4 (ex.: prucaloprida, tegaserode em casos selecionados): aceleram trânsito, úteis no IBS-C.
  • ISRS/SNRI podem ajudar na modulação da dor visceral e comorbidades.

Por que as outras estão incorretas?

  • Endorfina: peptídeo opioide que reduz motilidade e modula dor, mas não é o principal defeito sinalizador na SII. Opioides, inclusive, podem piorar constipação e hiperalgesia; não explicam o padrão fisiopatológico típico.
  • Dopamina: papel limitado no TGI; antagonistas D2 podem ser pró-cinéticos/antieméticos, porém a base fisiopatológica da SII não é dopaminérgica.
  • Noradrenalina: participa do estresse e da modulação central/autonômica, mas a alteração primária demonstrada nos estudos de SII é serotoninérgica, não noradrenérgica.

Critérios diagnósticos (revisão rápida para prova): ROMA III (citada na questão) define dor/ desconforto abdominal recorrente por ≥3 dias/mês nos últimos 3 meses, associada a melhora com evacuação e/ou alteração na frequência/forma das fezes. Atualmente, o ROMA IV (mais restrito) é o padrão. Exames são normais; pedir complementares apenas para sinais de alarme.

Pegadinha de prova: procure palavras-chave como “defeito de sinalização” e “neurotransmissor intestinal predominante”. Lembre: o intestino é o maior reservatório de serotonina do corpo.

Referências essenciais: UpToDate (Irritable bowel syndrome in adults), American College of Gastroenterology Guideline 2021 (IBS), Harrison’s Principles of Internal Medicine (cap. distúrbios funcionais intestinais).

Gabarito: Serotonina.

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