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Q3699794 Medicina
Mulher, 32 anos, sem comorbidades prévias, relata que há 2 semanas apresentou quadro de tosse seca, coriza, odinofagia em arranhadura e febre por 1 dia, evoluindo com melhora espontânea e completa dos sintomas após uso de sintomáticos. Entretanto, comparece hoje ao PA com queixa de dor intensa em região cervical anterior baixa, taquicardia e nervosismo. Ao exame físico, apresenta PA 150x90 mmHg, FC 114 bpm, dor à palpação de região cervical anterior-inferior com edema associado. Aos exames laboratoriais, apresenta hemograma sem alterações, VHS elevado, TSH: < 0,01 (VR 0,5 - 5,0 mU/L). e T4 livre: 14.5 (0,7 e 1,4 mU/L). Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual o tratamento mais indicado para o hipotético caso?
Alternativas

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Tema central: Esta questão aborda o diagnóstico e conduta diante de um quadro típico de tireoidite subaguda (de Quervain), situação frequentemente cobrada em concursos devido à sua apresentação clássica e manejo bem estabelecido.

Justificativa da alternativa correta (A): O tratamento recomendado para a tireoidite subaguda envolve três pilares importantes:

  • AINEs: Primeira linha para alívio da dor e redução do processo inflamatório local.
  • Corticoides: Reservados para casos sintomáticos mais intensos ou que não responderam aos AINEs. Suprimem rapidamente o processo inflamatório. Segundo o Manual MSD: “Desconforto leve é tratado com AINEs. Em casos mais sintomáticos, corticoides erradicam os sintomas em 48 horas.”
  • Betabloqueador: Controla sintomas adrenérgicos decorrentes da tireotoxicose transitória (taquicardia, tremores, ansiedade).

Portanto, a alternativa A contempla de forma completa o manejo da paciente apresentada.

Análise das alternativas incorretas:

  • B) Drenagem de abscesso cervical: Inadequada. Tireoidite subaguda é um processo inflamatório provavelmente viral, sem formação de abscesso. Palpação dolorosa associada a VHS elevado, sem sinais flogísticos importantes na pele nem evidência de secreção purulenta, afasta o diagnóstico de abscesso.
  • C) Propiltiouracil, levotiroxina, corticoterapia: Errado. Propiltiouracil bloqueia síntese de hormônio tireoidiano, mas na tireoidite subaguda há liberação de hormônio pré-formado devido à destruição folicular, não aumento da produção. Levotiroxina só é indicada em hipotireoidismo persistente, cenário não apresentado neste caso.
  • D) Propiltiouracil e betabloqueador: Mesmo erro da alternativa anterior. Não há produção aumentada de novo hormônio, mas liberação transitória de reservas.

Estratégia de prova: Este é um exemplo de questão que pode confundir candidatos desatentos ao mecanismo fisiopatológico. Fique atento a palavras-chave como “poucos dias após infecção viral”, “dor intensa cervical”, “tireotoxicose transitória” e “VHS elevado”. A leitura atenta e a distinção do quadro transitório versus doenças autoimunes (ex: Doença de Graves) são fundamentais.

Resumo: Tireoidite subaguda requer AINEs, corticoides em casos graves e betabloqueadores para sintomas. Medicina baseada em evidências clínicas é sempre valorizada em provas.
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