Após a leitura do enunciado apresentado a seguir, identifiq...
No mundo da globalização, o espaço geográfico ganha novos contornos, novas características, novas definições. E, também, uma nova importância, porque a eficácia das ações está estreitamente relacionada com a sua localização. Os atores mais poderosos se reservam os melhores pedaços do território e deixam o resto para os outros. (Milton Santos, Por uma outra globalização (do pensamento único à consciência universal),2001, p.39)
I. Numa situação de extrema competitividade como esta em que vivemos, os lugares repercutem os embates entre os diversos atores e o território como um todo revela os movimentos de fundo da sociedade.
II. A globalização, com a proeminência dos sistemas técnicos e da informação, subverte o antigo jogo da evolução territorial e impõe novas lógicas.
III. Os territórios tendem a uma compartimentação generalizada, onde se associam e se chocam o movimento geral da sociedade planetária e o movimento particular de cada fração, regional ou local, da sociedade nacional.
IV. Como sabemos o território é um dado neutro e um ator passivo. Assim o espaço geográfico não revela o transcurso da história, assim como não indica a seus atores o modo de nela intervir de maneira consciente.
A alternativa correta é:
Gabarito comentado
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Resposta correta: D — Apenas as assertivas I, II e III estão corretas.
Tema central: globalização e espaço geográfico. A questão exige compreender como processos globais (fluxos de capital, informação, tecnologia) reorganizam territórios, criando desigualdades e fragmentações espaciais — ideia central em Milton Santos (Por uma outra globalização, 2001) e em autores como David Harvey (Time-Space Compression).
Resumo teórico: A globalização produz desigualdade espacial e territorialidade ativa. Lugares não são neutros: são produzidos socialmente e disputados por atores com diferentes poderes. Há reterritorializações (novas lógicas de localização), redes transnacionais e compartimentação/fragmentação onde interesses globais e locais se chocam ou se articulam.
Justificativa da alternativa D:
- I — Verdadeira: Em contextos competitivos, lugares revelam embates entre atores; o território expressa contradições sociais (concepção miltonsantista).
- II — Verdadeira: A proeminência de sistemas técnicos e informação altera antigas dinâmicas territoriais, impondo novas lógicas de organização espacial (ex.: cidades globais, plataformas digitais).
- III — Verdadeira: A globalização tende à compartimentação: áreas privilegiadas (clusters, zonas francas) e áreas marginalizadas coexistem, mostrando interação entre escala planetária e frações locais.
- IV — Falsa: Contrapõe a teoria: território não é dado neutro nem ator passivo. Ele é produzido socialmente e influencia estratégias — logo, não “não revela” a história; pelo contrário, é palco e instrumento da ação humana.
Análise das distratores:
- A (I e II apenas): Incorreta porque ignora que III também é verdadeira.
- B (I, II, III e IV): Incorreta porque IV é equivocada — território não é neutro.
- C (apenas III): Incorreta porque I e II também correspondem ao pensamento sobre globalização e espaço.
Dica de prova: Busque palavras-chave (atores poderosos, nova lógica, compartimentação). Perguntas sobre espaço e globalização costumam pressupor que o território é produzido socialmente — desconfiar de alternativas que afirmem neutralidade.
Fontes sugeridas: Milton Santos, Por uma outra globalização (2001); David Harvey, The Condition of Postmodernity (1989); trabalhos sobre cidades globais (Saskia Sassen).
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