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Q3410492 Medicina
No tratamento medicamentoso da epilepsia, deve-se buscar um medicamento antiepiléptico que tenha um mecanismo de ação eficaz sobre os mecanismos de geração e propagação das crises vivenciadas pelo paciente. Assinale abaixo o item que corresponde a um mecanismo de ação dos fármacos antiepilépticos.
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Tema central: mecanismos de ação dos antiepilépticos. Na prática, buscamos reduzir a excitabilidade neuronal e a propagação das descargas por modular canais iônicos e neurotransmissores.

Alternativa correta: B — “Aumento da inibição GABAérgica”. Muitos antiepilépticos potencializam o GABA, principal neurotransmissor inibitório, promovendo hiperpolarização via receptor GABA-A (entrada de Cl−) e reduzindo disparos neuronais. Exemplos: benzodiazepínicos (aumentam a frequência de abertura do canal GABA-A), barbitúricos (aumentam a duração de abertura), tiagabina (inibe recaptação de GABA), vigabatrina (inibe GABA-transaminase) e valproato (eleva níveis de GABA). Esse é um mecanismo clássico e efetivo no controle de crises. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine (21ª ed.), UpToDate (Antiseizure medications, 2024).

Estratégia de prova: associe “tratar epilepsia” a diminuir excitação ou aumentar inibição. Palavras como “bloqueio” e “inibição” tendem a estar corretas; “abertura”/“estimulação” de vias excitatórias costumam indicar erro.

Análise das incorretas:

A — “Abertura dos canais de sódio”: Errada. O terapêutico é o bloqueio/inativação de canais de sódio voltagem-dependentes, reduzindo descargas de alta frequência. Exemplos: carbamazepina, fenitoína, lamotrigina, lacosamida (esta favorece inativação lenta). Abrir canais de Na+ aumentaria a excitabilidade e poderia piorar crises. (Harrison; UpToDate)

C — “Estimulação dos canais de cálcio”: Errada. Em epilepsia, busca-se inibir certos canais de Ca2+. A etossuximida bloqueia canais T talâmicos (chave nas crises de ausência). Gabapentina/pregabalina ligam-se à subunidade α2δ, reduzindo influxo de Ca2+ e liberação de glutamato. Estimular Ca2+ facilitaria a liberação de neurotransmissores excitatórios. (UpToDate)

D — “Potencialização de aminoácidos excitatórios”: Errada. O principal aminoácido excitatório é o glutamato. Diversos fármacos atuam no sentido oposto: perampanel (antagonista AMPA), topiramato (bloqueia AMPA/kainato, além de outros mecanismos), felbamato (antagonista NMDA). Potencializar glutamato tenderia a exacerbar crises. (Harrison; UpToDate)

Aplicação clínica rápida: Fármacos GABAérgicos podem causar sedação e, em doses altas, depressão respiratória (benzodiazepínicos/barbitúricos). Valproato: risco de hepatotoxicidade e teratogenicidade. Vigabatrina: risco de defeitos de campo visual. Ponderar perfil do paciente ao escolher a droga.

Fontes: Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed.; UpToDate: “Antiseizure medications: Mechanism of action, pharmacology, and adverse effects” (acesso 2024); recomendações ILAE sobre princípios terapêuticos.

Gabarito: B

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