Quanto à conduta frente a um quadro de anafilaxia, assinale...
Gabarito comentado
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Tema central: manejo da anafilaxia, emergência imunológica com início agudo, envolvendo pele/mucosas e comprometimento respiratório e/ou cardiovascular. O tratamento é imediato com adrenalina intramuscular e suporte hemodinâmico-respiratório.
Alternativa correta: B — Pacientes em uso de beta-bloqueadores podem apresentar resposta reduzida à adrenalina (bloqueio beta) e hipotensão/broncoespasmo refratários. Nesses casos, indica-se conduta mais agressiva: expansão volêmica vigorosa com cristaloides e glucagon (1–5 mg IV em bolus, seguido de infusão 5–15 µg/min), que ativa receptores independentes da via beta-adrenérgica, revertendo hipotensão e broncoespasmo. Evidência e diretrizes: WAO Anaphylaxis Guidance 2020, Resuscitation Council UK 2021, UpToDate 2024, e protocolos do Ministério da Saúde.
Por que as outras estão incorretas?
A. A adrenalina deve ser administrada preferencialmente por via intramuscular no terço médio da coxa (0,01 mg/kg, máx. 0,5 mg no adulto), podendo repetir a cada 5–15 min. As vias subcutânea têm absorção lenta e intravenosa só é considerada em UTI/ambiente monitorado para choque refratário, devido ao risco de arritmias. Diretrizes: WAO, AAAAI/ACAAI, UpToDate, RCUK.
C. O oxigênio na anafilaxia deve ser oferecido em alto fluxo para manter SpO2 > 94%, preferindo máscara com reservatório (10–15 L/min). “Baixo fluxo” é inadequado frente a hipoxemia/angioedema/broncoespasmo. Fontes: RCUK 2021, UpToDate.
D. Anti-histamínicos H1 são adjuvantes para prurido/urticária e não tratam obstrução de vias aéreas (laringoedema/broncoespasmo). Para isso, o que salva vida é adrenalina IM e, para broncoespasmo, beta2 inalatório. Corticoides podem ser usados como adjuvantes, mas não substituem a adrenalina. Referências: WAO, UpToDate, Harrison’s.
Conduta prática (protocolo resumido)
- Reconheça rapidamente: início agudo + pele/mucosas + dispneia/estridor/broncoespasmo ou hipotensão/síncope.
- Adrenalina IM imediata no vasto lateral; repetir se necessário.
- Posição supina com pernas elevadas; remover gatilho se possível.
- Oxigênio alto fluxo (máscara com reservatório).
- Fluidos IV (cristaloide 20 mL/kg, repetir conforme perfusão).
- Adjuvantes: anti-H1/H2 para pele; beta2 inalatório para broncoespasmo; corticoide como adjuvante.
- Se uso de beta-bloqueador ou choque refratário: glucagon IV + monitorização contínua.
- Observação pós-evento e prescrição de autoinjetor/encaminhamento a alergista.
Pegadinhas de prova: não aceite via subcutânea como equivalente à IM; oxigênio é alto fluxo; anti-histamínico não desobstrui via aérea; não atrase a adrenalina IM.
Referências rápidas: WAO Anaphylaxis Guidance 2020; Resuscitation Council UK 2021; UpToDate: Anaphylaxis: Emergency treatment; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: B.
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