O uso do acento grave indicativo de crase em “...inerente à...

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Q3770939 Português
A leitura atenta é uma forma de resistência. Em um mundo de notificações incessantes e manchetes que imploram por um clique rápido, o ato de mergulhar em um texto longo, de seguir uma argumentação complexa ou de se deixar envolver por uma narrativa bem construída tornou-se um gesto quase subversivo. A superficialidade é a norma; a profundidade, um desvio. O leitor contemporâneo, portanto, não é apenas aquele que decodifica palavras, mas aquele que, deliberadamente, escolhe o foco em detrimento da dispersão. É alguém que compreende que o conhecimento genuíno não é um produto de consumo rápido, mas o resultado de um processo que exige paciência, silêncio e uma boa dose de curiosidade. Essa postura é inerente à formação de um cidadão crítico, capaz de discernir entre fato e opinião, entre argumento e falácia.

(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. O avesso do mesmo. Folha de S.Paulo, 2018.)
O uso do acento grave indicativo de crase em “...inerente à formação de um cidadão crítico...” justifica-se pela: 
Alternativas

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Tema central da questão: Uso da Crase, especificamente na relação entre regência nominal e presença do artigo definido feminino. Para concursos públicos, entender quando e por que ocorre a crase é fundamental, pois este é um dos tópicos mais frequentes em provas de Língua Portuguesa, especialmente ao analisar relações de regência, como neste caso.

Justificativa da alternativa correta (E):

Neste trecho—“…inerente à formação de um cidadão crítico...”—o uso do acento grave (à) indica a ocorrência de crase.

  • O adjetivo “inerente” exige a preposição “a” como complemento, conforme a regência nominal (Ex: “Esta responsabilidade é inerente a alguém”).
  • O substantivo “formação” é feminino e vem acompanhado do artigo definido feminino “a” (a formação).

Assim, forma-se à (preposição “a” + artigo “a” = crase). Isso está perfeitamente de acordo com a regra da crase: “Usa-se o acento grave indicativo de crase quando ocorrer a fusão da preposição ‘a’ exigida por um termo antecedente com o artigo definido feminino ‘a’ do termo seguinte.” (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa). Logo, alternativa E é a correta.

Análise das alternativas incorretas:

A) Errada. Não existe regra de crase apenas pelo fato de o substantivo ser abstrato derivado de verbo. A presença da crase depende da regência e do artigo.

B) Errada. O verbo “ser” neste contexto é de ligação, não rege preposição “a”. A exigência da preposição vem do adjetivo “inerente”.

C) Errada. Concordância entre adjetivo e substantivo não justifica uso da crase. Crase é fenômeno de regência, não de concordância.

D) Errada. Não estamos diante de uma locução adverbial de modo (ex: “à tarde”, “à vontade”), mas sim de uma relação de regência nominal.

Dica para o aluno: Sempre que houver dúvida, separe a preposição e o artigo para identificar a crase. Analise se o termo anterior exige preposição (veja a regência) e se o termo seguinte admite o artigo feminino. Pratique com exemplos de adjetivos que exigem preposição, como ‘favorável a’, ‘próximo a’ e ‘relativo a’.

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GAB: E

O termo “inerente” é um adjetivo de regência nominal: ele exige a preposição “a” para introduzir o complemento.

O substantivo “formação” vem acompanhado do artigo definido feminino “a”.

Quando a preposição “a” se encontra com o artigo definido feminino “a”, ocorre a fusão gráfica representada pelo acento grave indicativo de crase.

Casos em que se usa a crase

  • Antes de substantivos femininos determinados:
  • Vou à escola. (= a + a escola)
  • Cheguei à cidade.
  • Com locuções femininas (adverbiais, prepositivas, conjuntivas):
  • Chegou à tarde.
  • Estava à espera de notícias.
  • Feito à mão.
  • Antes de pronomes demonstrativos iniciados por “a”:
  • Referi-me àquela situação.
  • Entreguei o livro àquela aluna.
  • Com a indicação de horas:
  • A reunião será às 15 horas.
  • Em expressões que indicam modo ou maneira:
  • Escreveu a carta à moda antiga.
  • Fez tudo à francesa.

Casos em que NÃO se usa a crase

  • Antes de palavras masculinas: Vou a pé.
  • Antes de verbos: Começou a estudar.
  • Antes de pronomes pessoais, de tratamento ou indefinidos: Dei o presente a ela. / Entreguei a você.
  • Quando o substantivo feminino está no plural sem artigo definido: Vou a festas populares.

E

A crase ocorre devido à regência nominal do adjetivo "inerente", que exige a preposição "a" (quem é inerente, é inerente a algo). Essa preposição funde-se ao artigo definido feminino que acompanha o substantivo "formação". Trata-se da regra geral de fusão entre um termo regente e um termo regido feminino. Memorize: quando o nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) exige a preposição "a" diante de palavra feminina com artigo, o acento grave é obrigatório.

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