Mulher de 58 anos, com cirrose hepática por vírus da hepati...

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Q4192533 Medicina
Mulher de 58 anos, com cirrose hepática por vírus da hepatite B, deu entrada na emergência por dor epigástrica. Nega história prévia de ascite, hemorragia digestiva ou encefalopatia. Avaliação clínica e laboratorial demonstrou que a paciente é classe A, segundo escore Child-Pugh. Realizou endoscopia digestiva alta de triagem, que demonstrou 3 cordões varicosos de grosso calibre, sem red spots.
Assinale a alternativa que apresenta afirmação correta sobre a prevenção de HDA varicosa nessa paciente.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O ponto que decide a questão é que esta paciente está em profilaxia primária de hemorragia varicosa, porque tem cirrose compensada, varizes esofágicas grossas e não teve sangramento prévio; pelas diretrizes Baveno V e Baveno VII, BBNS e ligadura elástica são opções válidas nesse cenário, e a alternativa correta cobra o dado hemodinâmico específico de que os BBNS atingem resposta terapêutica do GPVH (<12 mmHg ou queda ≥20% do basal) em cerca de 30% a 40% dos casos.

Tema central: Profilaxia primária varicosa
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque, na profilaxia primária de varizes esofágicas médias/grandes, as diretrizes e meta-análises citadas na base não sustentam superioridade global da ligadura elástica sobre os BBNS em mortalidade. Afirmar que a LEE tem menor risco de sangramento e de mortalidade do que os BBNS transforma em superioridade categórica algo que não foi demonstrado de forma consistente.
B
Errada
Está errada porque a terapia endoscópica indicada na profilaxia primária, quando escolhida, é a ligadura elástica endoscópica, e não a escleroterapia. A escleroterapia não é o método de escolha nesse cenário, tendo sido substituída pela LEE por perfil técnico e de complicações menos favorável.
C
Certa
A alternativa C está correta porque descreve o dado hemodinâmico clássico da resposta aos betabloqueadores não seletivos na hipertensão portal. O alvo terapêutico é reduzir o GPVH para menos de 12 mmHg ou obter queda de pelo menos 20% do valor basal, e isso ocorre apenas em parte dos pacientes, classicamente em torno de 30% a 40%. Esse é exatamente o tipo de informação técnica cobrada na questão.
D
Errada
Está errada porque a associação rotineira de BBNS com ligadura elástica não é a estratégia estabelecida como superior à LEE isolada na profilaxia primária. Pela base, a combinação BBNS + LEE é conceito típico de profilaxia secundária, após episódio hemorrágico, e não deve ser transportada automaticamente para paciente sem sangramento prévio.
E
Errada
Está errada porque faz uma generalização indevida ao negar de forma absoluta redução de mortalidade. Os BBNS reduzem o risco de primeiro sangramento, e a base não permite afirmar categoricamente ausência de benefício em mortalidade.
Pegadinha da questão
A banca mistura duas confusões frequentes: trocar profilaxia primária por secundária e desviar o foco para comparação entre métodos, quando o item correto depende do dado hemodinâmico de resposta do GPVH aos BBNS.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro classifique o cenário: sem sangramento prévio, a lógica é de profilaxia primária.
  • Em varizes esofágicas médias ou grandes, lembre que BBNS e ligadura elástica são opções aceitas; escleroterapia não é a técnica endoscópica de escolha.
  • Não leve a combinação BBNS + LEE para profilaxia primária sem respaldo: essa associação é mais própria da profilaxia secundária.
  • Se a questão cobrar fisiopatologia de BBNS, o dado transferível é o alvo hemodinâmico do GPVH e a taxa clássica de respondedores, cerca de 30% a 40%.

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